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“Como tem sido afirmado por diversos estudiosos, a cordialidade brasileira opera como um dispositivo discursivo que pretende encobrir a natureza hierárquica das interações raciais entre negros e brancos nesta sociedade. A natureza assimétrica delas indica que essa suposta cordialidade permanece apenas quando as diferenças de status entre negros e brancos estão claramente mantidas. Quaisquer alterações a essa ordem, quaisquer conflitos provocam reações racistas imediatas. Mais do que isso, a estratégia do amigo negro ignora o aspecto aversivo e simbólico do racismo. Pessoas brancas podem conviver socialmente com negros, podem defender a igualdade formal entre as raças, podem até mesmo ser casadas com pessoas negras, mas isso não significa que elas não sejam racistas. Estigmas raciais circulam socialmente e influenciam a percepção dos indivíduos, motivo pelo qual o fato de pessoas terem parentes ou amigos negros não impede que elas tenham atitudes racistas ou que sejam racistas. Além disso, a análise da injúria racial não deve ser analisada apenas a partir da motivação do acusado, mas também a partir do dano causado à vítima.” — Adilson José Moreira