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“Esfregou as duas faces do medalhão entre o polegar e o indicador. Textura macia, porosidade suave que aqueceu ao toque como pele viva. Aproximou-o do nariz e cheirou. O aroma quente de coração acabado de arrancar do peito. Abriu a boca e susteve a respiração como criança diante de uma colher de sopa cheia de óleo de fígado de bacalhau. Trincou o rebordo quase mole e saboreou os átomos nascidos da morte de estrelas. Uma boca cheia de coração podre temperado com vermes. O contacto directo era um paradoxo de sensações, a insanidade de desejar algo que provocava repulsa intolerável. Não tinha de voltar a tocar o metal, e muito menos de o cheirar e provar, mas a tentação do fascínio exercido pela Cativa continuava vinculada ao medalhão.” — Manuel Alves