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“Com suas experiências, Marie Bonaparte também queria convencer Freud, “le grand exciseur” [o grande excisor], da impossibilidade de renunciar à fase clitoridiana. Freud considerava de fato que a evolução sexual normal da mulher passava pelo abandono do estádio clitoridiano do prazer em prol do estádio vaginal, de acordo com a função reprodutora da sexualidade. Marie tentou responder, em sua defesa, que sem o clitóris não há gozo, a vagina sozinha permanece muda. Então por que não tentar dar artificialmente à vagina insensível um pouco do ardor clitoridiano, sem esperar uma improvável maturação? Freud mal deu ouvidos. A intervenção cirúrgica, portanto, veio inutilmente redobrar o apagamento do prazer.” — Catherine Malabou
Com suas experiências, Marie Bonaparte também queria convencer Freud, “le grand exciseur” [o grande excisor], da impossibilidade de renunciar à fase clitoridiana. Freud considerava de fato que a evolução sexual normal da mulher passava pelo abandono do estádio clitoridiano do prazer em prol do estádio vaginal, de acordo com a função reprodutora da sexualidade. Marie tentou responder, em sua defesa, que sem o clitóris não há gozo, a vagina sozinha permanece muda. Então por que não tentar dar artificialmente à vagina insensível um pouco do ardor clitoridiano, sem esperar uma improvável maturação? Freud mal deu ouvidos. A intervenção cirúrgica, portanto, veio inutilmente redobrar o apagamento do prazer.