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“Assim como as mercadorias, o amor foi fetichizado pelo capitalismo. A cultura produz e molda desejos, incentivando as pessoas a buscarem e consumirem formas específicas de amor. O capitalismo criou aquilo que Karl Marx (1988) chamou de fetiche da mercadoria. A palavra “fetiche” vem do termo “feitiço” e é usada por Marx para descrever o processo pelo qual as mercadorias ganham uma aparência de autonomia e poder que obscurece as verdadeiras relações sociais e laborais que as produziram, para que as pessoas passem a comprar um produto não mais somente pela sua utilidade, mas pelo que é capaz de despertar em termos emocionais no comprador. Uma bolsa, por exemplo, não serve só para carregar coisas, ela é símbolo de status dependendo da marca que a produz. E, assim como a fetichização da mercadoria, a fetichização do amor conjugal tornou-se uma estratégia fundamental de produção subjetiva capaz de atuar como dispositivo de controle e sujeição dos corpos, principalmente os das mulheres, às narrativas construídas pelo capital com o objetivo de aumentar a produção e consumo. A fetichização do amor conjugal ocorre quando as relações amorosas e afetivas são transformadas em mercadorias ou produtos. Isso significa que o amor é comercializado e moldado de acordo com as necessidades do mercado, desvirtuando seu valor intrínseco e transformando-o em um meio de lucro e controle social. A estrutura familiar tradicional é, muitas vezes, promovida como um pilar da estabilidade social. No entanto, essa prática também serve aos interesses do capitalismo ao criar unidades de consumo previsíveis e controláveis.” — Ingrid Gerolimich