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“Tanto na arte como no real, a negação parece funcionar como desesperada, ainda que ineficaz, estratégia de tentar dissimular força e estabilidade, postergando até o último momento possível, inevitável, o enfrentamento real e direto da ameaça. Muitas vezes, porém, nesse ponto, as ações de contenção já não são eficazes ou suficientes. Aos olhos dessas figuras, agências ou instituições governamentais que insistentemente negam ou relativizam as evidências empíricas e/ou científicas, sua admissão pública e transparente parece significar também uma aceitação de submissão à ameaça, um dobrar de joelhos metafórico que simultaneamente veicularia vulnerabilidade — não só à ameaça, como também aos olhos de todos os que de fora veem. Agem como se a negação contínua da realidade fosse, em si, força suficiente capaz de deter o curso de eventos que independem totalmente de seu poder ou vontade. Pergunto-vos: quando é?” — Thiago Sardenberg