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“O espírito desse esquema, ainda que não em todos os detalhes, está bem presente no Modelo Medieval. E se o leitor suspender sua descrença e exercitar sua imaginação neste assunto, mesmo que só por alguns minutos, acho que tomará consciência do amplo reajuste envolvido na leitura atenta dos poetas antigos. Encontrará toda a sua atitude perante o Universo invertida. No pensamento moderno, isto é, no pensamento evolucionário, o homem está no topo de uma escada cuja base se perde na escuridão; nesse Modelo, ele está na base de uma escada cujo topo é invisível por causa da luz ofuscante. Também compreenderá que algo, além do gênio individual, ajudou a dar aos anjos de Dante aquela majestade inigualável. Milton, ao perseguir esse objetivo, errou o alvo. O classicismo entrou no meio. Seus anjos têm anatomia demais, armaduras demais, e são por demais parecidos com os deuses de Homero e Virgílio, e (por essa mesma razão) são muito pouco parecidos com os deuses do paganismo em seus desenvolvimentos religiosos mais elevados. Depois de Milton, instaurou-se a degradação completa e, por fim, chegamos aos anjos puramente consoladores - portanto, femininos e aguados - da arte do século XIX.” — Clive Staples Lewis