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“O céu está vazio", disse bem humorado o médico. "A casa está órfão, não há risadas." Depois, cansado, interrompendo-se com os próprios pequenos soluços e pigarros, ele discorreu sobre fazer amor, sobre como seria uma grande paixão se uma grande paixão fosse um mergulho cada vez mais impessoal, uma queda que levasse tudo, e essa impessoalidade seria assustadora e atraente, assustadora porque alguém se perderia, "eu", de quem gostamos tanto, e atraente: poder ser qualquer um, desejar tudo. Mas podemos desejar tudo? Essa é a questão. Seus olhos inteligentes brilharam tristes. "Você entende?” — Péter Esterházy
O céu está vazio", disse bem humorado o médico. "A casa está órfão, não há risadas." Depois, cansado, interrompendo-se com os próprios pequenos soluços e pigarros, ele discorreu sobre fazer amor, sobre como seria uma grande paixão se uma grande paixão fosse um mergulho cada vez mais impessoal, uma queda que levasse tudo, e essa impessoalidade seria assustadora e atraente, assustadora porque alguém se perderia, "eu", de quem gostamos tanto, e atraente: poder ser qualquer um, desejar tudo. Mas podemos desejar tudo? Essa é a questão. Seus olhos inteligentes brilharam tristes. "Você entende?