Quotessence
Home / Quotes / Quote / Image

Quote image editor Ana Suy

Back to previous page

“O tal do amor-próprio que, não por acaso, é uma expressão que aparece muito no lado das mulheres, no mercado da feminilidade, então os procedimentos estéticos, maquiagens, adereços, esses adornos falhos que aparecem por aí e essa preocupação relacionada à propriedade que justamente era isso. A mulher como propriedade do homem, a mulher precisando ter valor de mercado, precisando se fazer para o outro para ser amada. Creio que talvez seja sintomático do nosso tempo fazer isso a si mesmo, então já não é mais para o outro, mas tem que ser pra si mesmo pelo menos. Para que daí, depois, seja pelo outro. Enfim, são estes discursos: você precisa primeiro se amar para depois ser amado pelo outro; você precisa se amar e precisa não precisar do outro. Isso vai crescendo e ganhando proporções que vão abandonando as dimensões do cuidado e vão, às vezes, ganhando uma ferocidade superegoica mesmo, né? Nessa obsessão dessa melhor versão, do rosto sem poros, do corpo dentro de um padrão muito milimetricamente impossível e o quanto se vai, tantas vezes, abandonando o cuidado em busca dessa imagem ideal.” — Ana Suy

Quote 1080 x 1350 Instagram portrait
More
Platforms
Pure ratios
O tal do amor-próprio que, não por acaso, é uma expressão que aparece muito no lado das mulheres, no mercado da feminilidade, então os procedimentos estéticos, maquiagens, adereços, esses adornos falhos que aparecem por aí e essa preocupação relacionada à propriedade que justamente era isso. A mulher como propriedade do homem, a mulher precisando ter valor de mercado, precisando se fazer para o outro para ser amada. Creio que talvez seja sintomático do nosso tempo fazer isso a si mesmo, então já não é mais para o outro, mas tem que ser pra si mesmo pelo menos. Para que daí, depois, seja pelo outro. Enfim, são estes discursos: você precisa primeiro se amar para depois ser amado pelo outro; você precisa se amar e precisa não precisar do outro. Isso vai crescendo e ganhando proporções que vão abandonando as dimensões do cuidado e vão, às vezes, ganhando uma ferocidade superegoica mesmo, né? Nessa obsessão dessa melhor versão, do rosto sem poros, do corpo dentro de um padrão muito milimetricamente impossível e o quanto se vai, tantas vezes, abandonando o cuidado em busca dessa imagem ideal.
— Ana Suy