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“(…) — Não sou capaz. Há uma barulheira infernal no mundo, queria entender uma palavra só uma palavra que ficasse em mim e eu me reconhecesse nela. Há tanta palavra bela, deve haver ainda. Não a distingo. O mundo concentrava-se nelas e elas diziam-no e ele era verdade. É um falatório ensurdecedor, não entendo nenhuma. Lembro-as ainda numa memória antiquíssima. Apuro o ouvido, nesta tarde opressiva, lembro-as. Falavam de amor e justiça e Deus e paz, não tenho nenhuma aqui. Sandra. Querida. Tu és uma «moralista» por falta de coragem. Tens o horizonte curto por prudência. Andas à procura do que te sirva como uma farrapeira pelos caixotes do lixo. Qualquer idiota te impressiona, logo que entre nas tuas regras. Não tenho regras, eu — como querias que tivesse regras? Regras tem-nas o cavalo com os arreios. Descolei da vida, porque tudo se me pôs de permeio. Estou só e sem remédio. Agora é aguentar. Descolei da vida, nunca pude colar-me bem.” — Vergílio Ferreira