Quotessence
Home / Quotes / Quote / Image

Quote image editor Antonio Quinet

Back to previous page

“A verdade se utiliza da fala para se expressar, mas seu efeito não é da ordem do semblante, é da ordem do real. Então, como algo que é da ordem de um artefato, que é da ordem do semblante, toca no real? Podemos dizer que essa é toda a questão da psicanálise; a partir daquele setting analítico — a psicanálise inglesa usa esse termo do teatro, um set —, mostra-se uma cena em que há uma pessoa que ocupa um lugar, tudo marcado, e interpreta um papel que é o de objeto a — papel que varia a cada análise, a cada analisante. Nós temos um certo grau de improvisação, na verdade é preciso improvisar o tempo todo, mas há uma marcação ali. Mais artificial que uma análise impossível, se paramos para refletir. Você não pode responder, se você já entrou no diálogo já errou, já não é psicanálise. Há uma marcação e você tem que obedecer a certos preceitos determinados pela estrutura: a política do mais-de-gozar, a estratégia dos semblantes, a não resposta à demanda de amor. A posição principal do analista — o não responder, responder com o silêncio — é uma das modalidades de fazer semblante de objeto a, em sua face opaca, silenciosa, fora do simbólico. A queixa habitual do analisante — “Mas eu falo, falo e você não diz nada” — se dá porque ele está acostumado, na cena cotidiana, a falar e ter uma réplica, e a análise não é isso. A análise é antinaturalista e, no entanto, opera. Ao contrário do que podemos dizer, quanto mais artefato, quanto mais claramente não naturalista, mais ela opera em nível do real.” — Antonio Quinet

Quote 1080 x 1350 Instagram portrait
More
Platforms
Pure ratios
A verdade se utiliza da fala para se expressar, mas seu efeito não é da ordem do semblante, é da ordem do real. Então, como algo que é da ordem de um artefato, que é da ordem do semblante, toca no real? Podemos dizer que essa é toda a questão da psicanálise; a partir daquele setting analítico — a psicanálise inglesa usa esse termo do teatro, um set —, mostra-se uma cena em que há uma pessoa que ocupa um lugar, tudo marcado, e interpreta um papel que é o de objeto a — papel que varia a cada análise, a cada analisante. Nós temos um certo grau de improvisação, na verdade é preciso improvisar o tempo todo, mas há uma marcação ali. Mais artificial que uma análise impossível, se paramos para refletir. Você não pode responder, se você já entrou no diálogo já errou, já não é psicanálise. Há uma marcação e você tem que obedecer a certos preceitos determinados pela estrutura: a política do mais-de-gozar, a estratégia dos semblantes, a não resposta à demanda de amor. A posição principal do analista — o não responder, responder com o silêncio — é uma das modalidades de fazer semblante de objeto a, em sua face opaca, silenciosa, fora do simbólico. A queixa habitual do analisante — “Mas eu falo, falo e você não diz nada” — se dá porque ele está acostumado, na cena cotidiana, a falar e ter uma réplica, e a análise não é isso. A análise é antinaturalista e, no entanto, opera. Ao contrário do que podemos dizer, quanto mais artefato, quanto mais claramente não naturalista, mais ela opera em nível do real.
— Antonio Quinet