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“Era comum chover mas, em Outubro – quem pode esquecer as chuvas de Outubro? – caía aquela chuva perturbadoramente silenciosa. Que era tão nebulosa que ficava bela; que, se não molhasse, ninguém acreditaria tratar-se de uma chuva; que era tão lenta que dava para acompanhar com os olhos o seu cair. Aquilo a que os aldeões chamavam «as chuvas de Outubro», era o cúmulo da mansidão daquele viver. Os olhos quase descaíam em choro mirando o sol subdividindo-se, ao fim da tarde, em cada gota dessa precipitação lentadinosa, faz conta, o astro maior se fosse derretendo todos os dias um poucochinho mais.” — Ondjaki
Era comum chover mas, em Outubro – quem pode esquecer as chuvas de Outubro? – caía aquela chuva perturbadoramente silenciosa. Que era tão nebulosa que ficava bela; que, se não molhasse, ninguém acreditaria tratar-se de uma chuva; que era tão lenta que dava para acompanhar com os olhos o seu cair. Aquilo a que os aldeões chamavam «as chuvas de Outubro», era o cúmulo da mansidão daquele viver. Os olhos quase descaíam em choro mirando o sol subdividindo-se, ao fim da tarde, em cada gota dessa precipitação lentadinosa, faz conta, o astro maior se fosse derretendo todos os dias um poucochinho mais.