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“-Maurice, vou agora durante uns momentos falar contigo como se fosse o teu pai! Vou tratar-te pelo teu nome. - Depois, de maneira simples e com bondade, abordou o mistério do sexo. Falou do homem e da mulher, criados por Deus no início para que a terra fosse povoada, e do período em que homem e mulher recebem os seus poderes. - Só agora é que estás a tornar-te um homem, Maurice; por isso te falo disto. (...) [O rapaz] Estava atento, como era natural, dado que era o único na aula, e sabia que o assunto era sério e se relacionava com o seu próprio corpo. Mas não conseguia identificar-se com ele; caía aos bocados assim que Mr Ducie o juntava, como uma soma impossível. Tentou em vão. A sua mente entorpecida recusava-se a acordar. A puberdade estava ali, mas não a inteligência, e a virilidade aproximava-se sub-repticiamente, tal como deve ser, no meio de um transe. É inútil descrevê-lo, por mais científico e compassivo que se seja, O rapaz consente e é de novo arrastado para o sono, donde só é seduzido quando é chegada a sua hora. (...) -Depois vêm as coisas grandes - o Amor, a Vida. (...) Falou do homem ideal - puro de ascetismo. Traçou a beleza da Mulher. (...) -Amar uma mulher digna, protegê-la e servi-la - isto, disse ao rapaz, era o auge da vida. (...) Tudo tem um sentido...tudo; e Deus está no seu céu, tudo está bem na terra. Homem e mulher! Que maravilha! -------------------------------- Mr Ducie (professor) e Maurice p.15-16, MAURICE, E.M. FORSTER” — E.M. Forster