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Quote by Harper Lee

“¿Como es posible que uno odie tan terriblemente a Hitler y luego, al mirar a su alrededor, sea tan injusto con personas de nuestra propia Patria?”

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Harper Lee

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“O racismo sempre existiu, Bolsonaro deu a eles o poder de justificar, a normalização. Até pouco tempo, se dizia na cara do preto: preto safado. Agora, negam o racismo. É somente uma forma mais sofisticada de dizer: preto safado.”

“O racismo sempre existiu, Bolsonaro deu a eles o poder de justificar, a normalização. Até pouco tempo, se dizia na cara do preto: preto safado. Agora, negam o racismo. É somente uma forma mais sofisticada de dizer: preto safado. Negar o racismo é somente uma forma nova de dizer que ele deveria trabalhar, como o branco honesto, cidadão de bem, para conseguir o que quer. Racismo é somente uma forma da esquerda roubar o branco trabalhador, do preto safado não trabalhar para conseguir o que quer.”

“Gostaríamos de pensar que as nossas relações são, por princípio, marcadas por benevolência e que, na falta de qualquer informação, à partida gostamos do Outro. No entanto, poderá não ser bem assim e ficamos por vezes chocados quando confrontados com algo que afinal parece surgir tão naturalmente que não o controlamos.”

“O negro, no entanto, é aquele que traz a marca do “corpo negro”, que expressa, escatologicamente, o repertório do execrável que a cultura afasta pela negativização. Vítima das representações sociais que investem sua aparência daqueles sentidos que são socialmente recusados, o negro se vê condenado a carregar na própria aparência a marca da inferioridade social. Para o indivíduo negro, o processo de se ver em um “nós” em relação às tipificações sociais inscritas no extremo da desejabilidade esbarra nessa marca – o corpo – que lhe interdita tal processo de identificação; ao mesmo tempo, a cultura incita-o a aderir aos signos da desejabilidade, pela injunção, própria das estruturas da cultura, que resulta do fato de que os signos desse sistema são introjetados pelos indivíduos no processo de socialização, como diz Rodrigues. Dessa forma, a cultura, que construiu a categoria “negro” enquanto um signo, produz, para o indivíduo negro, uma posição de ambivalência: oferece-lhe um paradigma – o da brancura – como lugar de identificação social; no entanto, por representar justamente o outro da brancura, tal identificação é, ipso facto, interditada, pois a distância entre os extremos na rede de tipificações, como se viu em Rodrigues, deve ser mantida. Preso às malhas da cultura, o negro trava uma luta infinda na tentativa de se configurar como indivíduo no reconhecimento de um “nós”. Seu corpo negro, socialmente concebido como representando o que corresponde ao excesso, ao que é outro, ao que extravasa, significa, para o negro, a marca que, a priori, o exclui dos atributos morais e intelectuais associados ao outro do negro, ao branco: o negro vive cotidianamente a experiência de que sua aparência põe em risco sua imagem de integridade. Se a cultura lhe atribuiu uma natureza que é da ordem do inaceitável, esses sentidos são introjetados pelo negro e vão, necessariamente, produzir configurações psíquicas particulares. Nesse processo em que a cultura o captura, o negro recusa sua própria imagem e permanece cativo do fantasma da inferioridade, de que seu corpo é, socialmente, a marca.”

“Os estereótipos raciais negativos presentes em piadas e brincadeiras racistas são os mesmos que motivam práticas discriminatórias contra minorias raciais em outros contextos. É mesmo possível afirmar que piadas e brincadeiras que reproduzem estigmas raciais não afetam a vida dos membros desses grupos, sendo então socialmente irrelevantes? Muitas teorias psicológicas demonstram que o humor não é uma mera reação reflexa, mas sim produto do contexto cultural no qual as pessoas vivem. Isso significa que ele adquire sentido a partir dos valores presentes no espaço público. Ele manifesta a hostilidade por pessoas que possuem status social inferior. Podemos realmente argumentar que o humor baseado em estereótipos raciais tem uma natureza benigna porque procura apenas produzir um efeito cômico e não promover animosidade contra minorias raciais? Uma análise do conteúdo de piadas racistas demonstra que ele perpetua os mesmos elementos que estavam presentes em políticas públicas de caráter eugênico destinadas a promover a eliminação da herança africana por meio da transformação racial da população brasileira. Podemos mesmo dizer que o humor racista tem apenas a função de produzir um efeito cômico ou devemos partir do pressuposto de que ele serve como veículo para uma política cultural destinada a legitimar estruturas hierárquicas? Vivemos em uma nação que professa uma cultura democrática, o que implica seu compromisso com o reconhecimento da igualdade moral entre todos os indivíduos. A partir de que parâmetros podemos conciliar o interesse na proteção da reputação de grupos sociais com o direito à liberdade de expressão? O que deve ter prioridade, o direito individual ou os de interesse coletivo, na proteção da reputação pessoal?”