Quote image editor
“As sombras continuarão a visitar-me mas o meu amor as distrairá. Cozinharei para elas a euforia com fígado e cebola, água do rio, granizo e mel. Afundarei o crepúsculo nos pratos, enquanto sussurro o segredo da loba, e deixarei que todas se sentem em redor da mesa. Elas soltar-me-ão o cabelo e tocarão, ao de leve, o meu pescoço. E da minha boca cairão flores sobre a toalha. Vejam o meu amor aí derramado como é infinito e grande e húmido, uma debandada de cavalos selvagens. Assim é o meu amor, sintam-no tão largo como é, ofensivo, bruto. Comam-no, digladiem-se, desçam. E, no fim, deixem-me em paz para eu poder adormecer docemente depois de voltar a pentear os meus afectos.” — A. Rafael da Silva
As sombras continuarão a visitar-me
mas o meu amor as distrairá.
Cozinharei para elas a euforia
com fígado e cebola, água do rio,
granizo e mel. Afundarei o crepúsculo
nos pratos, enquanto sussurro o segredo
da loba, e deixarei que todas se sentem
em redor da mesa.
Elas soltar-me-ão o cabelo e tocarão,
ao de leve, o meu pescoço.
E da minha boca cairão flores sobre a toalha.
Vejam o meu amor aí derramado
como é infinito e grande e húmido,
uma debandada de cavalos selvagens.
Assim é o meu amor, sintam-no
tão largo como é, ofensivo, bruto.
Comam-no, digladiem-se, desçam.
E, no fim, deixem-me em paz
para eu poder adormecer docemente
depois de voltar a pentear os meus afectos.