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“O vazio como o lugar do haiku es-vazia tanto o Eu como o Isso. Assim, o haiku não é nem “pessoal” nem “impessoal”. Cheiro de rochas: Essa grama vermelha D’água e calor Bashō Os haikus não apontam, além disso, para nenhum significado oculto que devesse ser encontrado. Não há metáfora da qual se deveria retirar uma interpretação. O haiku é completamente evidente. Ele é claro em si mesmo. Não é preciso primeiramente “esclarecê-lo”. Bater do vento Faz com que os pássaros Fiquem mais brancos Buson O haiku revela inteiramente o seu “sentido”. Ele, por assim dizer, não tem nada para esconder. Ele não é voltado para dentro. Não habita nele nenhum “sentido profundo”. A ausência de “sentido profundo” constitui, justamente, a sua profundidade. Ela é correlata da ausência de interioridade da alma. A abertura clara, a amplidão desimpedida do haiku surge do coração des-interiorizado, es-vaziado, da coleção de ninguém, sem interioridade.” — Byung-Chul Han