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Quote image editor Isildinha Baptista Nogueira

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“Não há outra possibilidade de o inconsciente vir à tona senão no dizer. No entanto, no dito, a verdade do sujeito propriamente dita estará perdida na sua integridade, visto que aí aparece sob o disfarce do sujeito do enunciado, única forma da “verdade do sujeito” poder emergir, ainda que se “meio dizendo”. Não só o sujeito emerge de maneira disfarçada: também seu discurso articulado é uma forma de disfarce em relação à verdade do desejo do sujeito. Portanto, o “eu” que aparece no discurso como sujeito do enunciado, capturado pela ordem subjetiva, acaba por ocultar o sujeito do desejo. Nesse ato de ocultação, se dará a objetivação imaginária do sujeito, que se vê identificado com as representações que aparecem no discurso. Essas representações ou “lugares-tenentes”, em que o sujeito se perde em sua verdade, acabam por reduzi-lo a uma representação imaginária, de que o sujeito lançará mão para se identificar. Nesse sentido, o eu (sujeito do enunciado) aparece como substituto do sujeito em si (sujeito da enunciação): na medida em que este último escapa à possibilidade de ser representado, é o eu que aparecerá para o sujeito como o seu representante. Trata-se, portanto, de verificar como o eu pôde ser construído como representante do sujeito.” — Isildinha Baptista Nogueira

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Não há outra possibilidade de o inconsciente vir à tona senão no dizer. No entanto, no dito, a verdade do sujeito propriamente dita estará perdida na sua integridade, visto que aí aparece sob o disfarce do sujeito do enunciado, única forma da “verdade do sujeito” poder emergir, ainda que se “meio dizendo”. Não só o sujeito emerge de maneira disfarçada: também seu discurso articulado é uma forma de disfarce em relação à verdade do desejo do sujeito. Portanto, o “eu” que aparece no discurso como sujeito do enunciado, capturado pela ordem subjetiva, acaba por ocultar o sujeito do desejo. Nesse ato de ocultação, se dará a objetivação imaginária do sujeito, que se vê identificado com as representações que aparecem no discurso. Essas representações ou “lugares-tenentes”, em que o sujeito se perde em sua verdade, acabam por reduzi-lo a uma representação imaginária, de que o sujeito lançará mão para se identificar. Nesse sentido, o eu (sujeito do enunciado) aparece como substituto do sujeito em si (sujeito da enunciação): na medida em que este último escapa à possibilidade de ser representado, é o eu que aparecerá para o sujeito como o seu representante. Trata-se, portanto, de verificar como o eu pôde ser construído como representante do sujeito.
— Isildinha Baptista Nogueira