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“Nesse contexto, além do feminismo (ou, ainda, talvez por causa dele), outro movimento político que merece atenção (ainda que breve) em sua relação histórica e historicamente apagada com o marxismo, e que deve diretamente a Engels boa parte de suas possibilidades de questionamento hoje, é o movimento organizado de grupos que praticam e reivindicam relações não-monogâmicas. Popularmente conhecidos como “poliamor” ou “amor livre” no Brasil, esses grupos apresentam uma enorme variedade de formas de conceber e pensar a Monogamia (enquanto estrutura, em maiúscula) e a não-monogamia (enquanto prática de resistência, em minúscula), algumas declaradamente mais politizadas do que outras. Grupos que se reivindicam “anarquistas relacionais” ou “relações livres”, por exemplo, concebem que se trata, antes, de relações sociais – e não de um sentimento, o amor –, por isso essa crítica é indissociável de uma crítica estrutural anticapitalista anarquista, comunista ou socialista. Pensa-se a reestruturação revolucionária das famílias (ou sua extinção enquanto instituição), do sistema de parentesco, das relações afetivas e sexuais e até mesmo dos esquemas de sentimentos como parte fundamental da reestruturação também revolucionária, econômica e política, de nossa sociedade. Nos moldes do que já havia sido escrito e reivindicado por Aleksandra Kollontai ao descrever o amor-camarada, esses grupos se opõem politicamente, no campo da não-monogamia, àqueles que preferem manter a estrutura intacta e acreditar que se trata apenas de escolhas individuais, feitas com base em sentimentos espontâneos, ainda que com contornos culturais.” — Marília Moschkovich