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Quote image editor Mohamedou Ould Slahi

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“Mas a realidade sempre caía sobre mim assim que eu acordava em minha cela fria e escura, mantendo os olhos abertos só por um momento na tentativa de voltar a dormir e viver aquilo de novo. Levei várias semanas para aceitar que estava preso e que não iria para casa tão cedo. Por mais duro que fosse, esse passo foi necessário para me fazer entender minha situação e agir com objetividade para evitar o pior, em vez de perder tempo com as peças que minha mente me pregava. Muita gente não supera essa fase: perde o juízo. Vi muitos detentos que acabaram ficando loucos. A fase dois chega quando você entende de verdade que está na prisão e que não possui nada além de todo o tempo do mundo para pensar na vida — embora em GTMO os detentos tenham também de se preocupar com os interrogatórios diários. Você entende que não tem controle sobre nada, que não decide quando vai comer, quando vai dormir, quando vai tomar banho, quando vai acordar, quando vai ao médico, quando vai estar com o interrogador. Não tem privacidade alguma; nem para expelir uma gota de urina sem ser vigiado. No começo, é horrível perder todos os privilégios num piscar de olhos, mas ainda que pareça mentira, as pessoas se acostumam. Eu mesmo me acostumei. A fase três consiste em descobrir sua nova casa e sua nova família. Sua família é integrada por carcereiros e interrogadores. Certo, você não escolheu essa família, nem foi criado nela, mas seja como for é uma família, goste você ou não, com todas as vantagens e desvantagens. Eu pessoalmente amo minha família e não a trocaria por nada no mundo, mas criei uma família na cadeia com a qual também me preocupo. Cada vez que um membro de minha família atual vai embora, é como se um pedaço do meu coração estivesse sendo arrancado. Mas fico feliz quando um parente ruim tem de ir embora. Fase quatro: acostumar-se à prisão e ter medo do mundo lá fora.” — Mohamedou Ould Slahi

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Mas a realidade sempre caía sobre mim assim que eu acordava em minha cela fria e escura, mantendo os olhos abertos só por um momento na tentativa de voltar a dormir e viver aquilo de novo. Levei várias semanas para aceitar que estava preso e que não iria para casa tão cedo. Por mais duro que fosse, esse passo foi necessário para me fazer entender minha situação e agir com objetividade para evitar o pior, em vez de perder tempo com as peças que minha mente me pregava. Muita gente não supera essa fase: perde o juízo. Vi muitos detentos que acabaram ficando loucos. A fase dois chega quando você entende de verdade que está na prisão e que não possui nada além de todo o tempo do mundo para pensar na vida — embora em GTMO os detentos tenham também de se preocupar com os interrogatórios diários. Você entende que não tem controle sobre nada, que não decide quando vai comer, quando vai dormir, quando vai tomar banho, quando vai acordar, quando vai ao médico, quando vai estar com o interrogador. Não tem privacidade alguma; nem para expelir uma gota de urina sem ser vigiado. No começo, é horrível perder todos os privilégios num piscar de olhos, mas ainda que pareça mentira, as pessoas se acostumam. Eu mesmo me acostumei. A fase três consiste em descobrir sua nova casa e sua nova família. Sua família é integrada por carcereiros e interrogadores. Certo, você não escolheu essa família, nem foi criado nela, mas seja como for é uma família, goste você ou não, com todas as vantagens e desvantagens. Eu pessoalmente amo minha família e não a trocaria por nada no mundo, mas criei uma família na cadeia com a qual também me preocupo. Cada vez que um membro de minha família atual vai embora, é como se um pedaço do meu coração estivesse sendo arrancado. Mas fico feliz quando um parente ruim tem de ir embora. Fase quatro: acostumar-se à prisão e ter medo do mundo lá fora.
— Mohamedou Ould Slahi