“- Não é desta opinião, Regnoult? Dá assim tanto valor à consciência? - É claro que dou… - Talvez não tenha razão. Chego às vezes a pensar que a consciência, a noção do eu, é apenas um acidente infeliz. - Infeliz? - repetiu Groix - Imagine uma formiga, Groix. Ela vive, trabalha, sofre. Suponha que, de repente, por milagre, lhe concedemos a noção de si própria, a consciência. Fica a saber que existe, que é formiga, apercebe-se sem demora do seu terrível destino, que é trabalhar durante uma ou duas estações e desaparecer. Acha que lhe deu uma prenda inestimável? E não sendo o homem senão uma formiga de memória desenvolvida, capaz de se examinar nas diversas circunstâncias da existência, acha singular que eu hesite às vezes, que sinta uma espécie de… de remorso, no momento de restituir ao meu semelhante essa lucidez, essa consciência?” ConsciênciaEu Book:Corps et ames Source: Corps et ames