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“A rua pode ser um espaço que não está vivo nem morto, mas cuja vida ou morte, amor ou ódio depende de um olhar. A realidade é iluminada pela atenção. Há um cobertor abstrato à nossa volta que se torna palpável se o observarmos, se o sentirmos ou se ele nos forçar a que o testemunhemos. A beleza, o medo, o terror, o inesperado, a harmonia são maneiras de a realidade engordar, de surgirem figuras do seu espaço abstrato, de se revelarem objetos e entidades nomeáveis que, por milagre, saem do caos e ganham carne. É como se alguma coisa nos tocasse fisicamente, nos beijasse, nos magoasse, nos ferisse. Sem qualquer emoção ou sentimento, o mundo é fugaz e volúvel, é frágil e friável.” — Afonso Cruz
A rua pode ser um espaço que não está vivo nem morto, mas cuja vida ou morte, amor ou ódio depende de um olhar. A realidade é iluminada pela atenção. Há um cobertor abstrato à nossa volta que se torna palpável se o observarmos, se o sentirmos ou se ele nos forçar a que o testemunhemos. A beleza, o medo, o terror, o inesperado, a harmonia são maneiras de a realidade engordar, de surgirem figuras do seu espaço abstrato, de se revelarem objetos e entidades nomeáveis que, por milagre, saem do caos e ganham carne. É como se alguma coisa nos tocasse fisicamente, nos beijasse, nos magoasse, nos ferisse. Sem qualquer emoção ou sentimento, o mundo é fugaz e volúvel, é frágil e friável.