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Quote by Afonso Cruz

“A rua pode ser um espaço que não está vivo nem morto, mas cuja vida ou morte, amor ou ódio depende de um olhar. A realidade é iluminada pela atenção. Há um cobertor abstrato à nossa volta que se torna palpável se o observarmos, se o sentirmos ou se ele nos forçar a que o testemunhemos. A beleza, o medo, o terror, o inesperado, a harmonia são maneiras de a realidade engordar, de surgirem figuras do seu espaço abstrato, de se revelarem objetos e entidades nomeáveis que, por milagre, saem do caos e ganham carne. É como se alguma coisa nos tocasse fisicamente, nos beijasse, nos magoasse, nos ferisse. Sem qualquer emoção ou sentimento, o mundo é fugaz e volúvel, é frágil e friável.”

Quote by Afonso Cruz

Work

O Vício dos Livros

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Author

Afonso Cruz

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“Roses and they She had shown him many things, She had made him feel joys of many springs, They had been to many places together, They had found love in each other, He had believed in her and her every word, He had erected on the highways of his heart her every memories’ billboard, She had travelled on them for many years, She had never let time’s brevity be the reason for her fears, So they felt every passing day, they experienced life of love, So much, that they even felt loved by the feeling of love, She waited for him in every moment, She felt it was him whenever a leaf fell or she felt some movement, He too felt the same; as she felt, He to with her in his own heart dwelt, They lived a life that was unlamented by all virtues, They were kissed by life’s joys and and beauty’s all possible hues, He was unremitting when it came to loving her, He always wanted to be with her, forever together, Then one day they slept under a rose bush in full bloom, Then I beheld them being woven together on the life’s loom, He now lives within her and she lives within him, She is the rose bush that radiates with a different light under the moonlight dim, He is the roses which only bloom for her, And she is the rose bush that only grows for him forever!”

“Mas a realidade sempre caía sobre mim assim que eu acordava em minha cela fria e escura, mantendo os olhos abertos só por um momento na tentativa de voltar a dormir e viver aquilo de novo. Levei várias semanas para aceitar que estava preso e que não iria para casa tão cedo. Por mais duro que fosse, esse passo foi necessário para me fazer entender minha situação e agir com objetividade para evitar o pior, em vez de perder tempo com as peças que minha mente me pregava. Muita gente não supera essa fase: perde o juízo. Vi muitos detentos que acabaram ficando loucos. A fase dois chega quando você entende de verdade que está na prisão e que não possui nada além de todo o tempo do mundo para pensar na vida — embora em GTMO os detentos tenham também de se preocupar com os interrogatórios diários. Você entende que não tem controle sobre nada, que não decide quando vai comer, quando vai dormir, quando vai tomar banho, quando vai acordar, quando vai ao médico, quando vai estar com o interrogador. Não tem privacidade alguma; nem para expelir uma gota de urina sem ser vigiado. No começo, é horrível perder todos os privilégios num piscar de olhos, mas ainda que pareça mentira, as pessoas se acostumam. Eu mesmo me acostumei. A fase três consiste em descobrir sua nova casa e sua nova família. Sua família é integrada por carcereiros e interrogadores. Certo, você não escolheu essa família, nem foi criado nela, mas seja como for é uma família, goste você ou não, com todas as vantagens e desvantagens. Eu pessoalmente amo minha família e não a trocaria por nada no mundo, mas criei uma família na cadeia com a qual também me preocupo. Cada vez que um membro de minha família atual vai embora, é como se um pedaço do meu coração estivesse sendo arrancado. Mas fico feliz quando um parente ruim tem de ir embora. Fase quatro: acostumar-se à prisão e ter medo do mundo lá fora.”