“CXIV
Quão funesta sorte nos esperava…
Para quê? Tanta luta e tortura…!
Quanta grandeza se imaginava,
Por tão grandes feitos e bravura…
Qual Rodamonte que se apagava,
Se convertia carne em terra dura!
Eis que se entregava de mão beijada
Toda a dor que vencemos p´la espada!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“CXV
Mas as revoluções continuavam
Até que surge outra Constituição
A conciliação que todos desejavam
Foi muito curta na sua duração
Com novo golpe, à Carta voltavam
Sendo de Costa Cabral esta nova acção!
Chegou de imediato a Maria da Fonte
A que a estranja se opôs com afronta!”
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“CXVI
No etéreo monte as Parcas pensavam,
Se o apreço que outrora merecíamos,
Por Dione e Cupido que nos ajudavam,
Valia o esforço da luta que movíamos?
Pelo prémio que as feridas saravam,
Como as de Cristo por quem vivíamos!
Nossos heróis estavam prisioneiros
Mais por sua culpa, que de Terceiros!”
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“CXVII
Avançava o tempo insano e cruel
Arrastando a todos num mar incerto
De confusão, ódio e luta sem quartel
Para um fim que se adivinhava já perto…
Quando uma voz penetrou nesta Babel
Tão poderosa como outrora, por certo…
Pois que o receio e temor foi tanto,
Que o silêncio apagou tanto pranto!”
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“CXIX
Empunhando sua espada cravejada
Levantada acima da sua cabeça
Marte irado pela descrença notado
Como um trovão, sua voz faz que se conheça,
Gritando à Lusitânia sua amada,
Para que naquele caos não pereça…!
“Oh! Valorosa gente de grã antanho
Levantai vossa moral, por vosso ganho!”
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“CXX
Oh! Lusitana gente martirizada
Esquece de teus avós a vingança
Pensa na justiça abandonada
Espalhando o licor da bonança
Mostrando a face tão desejada
Cheia de amor como de uma criança
Segue o nosso rumo de Prometeu
Que tão maravilhoso exemplo deu!”
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“CXXI
Tanta instabilidade e fadiga
Termina com a Convenção de Gramido
Mas a paz só chegará como amiga
Quando um marechal muito sabido
Herói e veterano de tanta briga
Dá um golpe em tempo devido
Chamou-se o mesmo de Regeneração
Por terminar com tanta agitação.”
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“CXXII
Foi a partir de tão ilustre marechal
De seu nome Duque de Saldanha
Que esta Pátria há tanto imortal
Se viu lançada em nova campanha:
A da renovação deste Portugal,
Cujo atraso a Europa não acompanha!
O mundo europeu de tão mecanizado
Para nós, nunca mais, seria alcançado.”
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“CXXIII
Mostrando-se o tempo impiedoso,
Ao Olimpo pedíamos ajuda
Pois por nossas lágrimas era forçoso
Que o Alto com sua voz aguda
Travasse aquele poder temeroso,
Quebrando o que tanta coisa muda!
Invocamos Atena com ousadia,
Dando liberdade ao que se pedia.”
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“CXXIV
Perante tão nefasto e grande atraso
Se dá prioridade às obras públicas
Não sendo o gesto por mero acaso,
Que muitas obras não sendo únicas,
Surgissem belas como flores em vaso,
Desabrochando pétalas sem túnicas!
Chega ao País a Revolução Industrial
O que por triunfo era ambição geral!”
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