Quotessence
Home / Quotes / Quote by Fernando Pessoa

Quote by Fernando Pessoa

“Eu nunca fiz senão sonhar. Tem sido esse, e esse apenas, o sentido da minha vida. Nunca tive outra preocupação verdadeira senão a minha vida interior. As maiores dores da minha vida esbatem-se-me quando, abrindo a janela para dentro de mim pude esquecer-me na visão do seu movimento. Nunca pretendi ser senão um sonhador. A quem me falou de viver nunca prestei atenção. Pertenci sempre ao que não está onde estou e ao que nunca pude ser. Tudo o que não é meu, por baixo que seja, teve sempre poesia para mim. Nunca amei senão coisa nenhuma. Nunca desejei senão o que nem podia imaginar. À vida nunca pedi senão que passasse por mim sem que eu a sentisse. Do amor apenas exigi que nunca deixasse de ser um sonho longínquo. Nas minhas próprias paisagens interiores, irreais todas elas, foi sempre o longínquo que me atraiu, e os aquedutos que se esfumam — quase na distância das minhas paisagens sonhadas, tinham uma doçura de sonho em relação às outras partes de paisagem — uma doçura que fazia com que eu as pudesse amar.”

Quote by Fernando Pessoa

Author

Fernando Pessoa
Fernando Pessoa

Portuguese poet known for his unique narrative style and rich inner world. Fernando Pessoa is considered one of the most influential writers of the 20th century, and his works are still widely studied and discussed today. more

You May Also Like

“Quando se morre, o que se debate ainda dentro em nós com fúria - é a quimera. O que me custa a deixar não é o corpo, é a alma inquieta. Com a morte agarrada a mim, porque é que cravo as unhas na vida, raivosamente? Porque quero sonhar, tirar da coisas, das árvores, da luz, das flores, materiais para ilusões. Ao que cada um se prende é às aspirações, às suas penas e não à matéria e ao corpo!...”

“O sonho, como o sono que se sucedeu, foi rápido e profundo. Primeiro, ela estava num palco de teatro com dois ou três homens que não reconheceu de imediato. Depois apareceu Madona, linda, com os cabelos bem amarelos, muito longos. Havia uma música de fundo. Ela reconheceu um dos homens, era Oscar Wilde — e ele se parecia com Madona, os dois conversavam como velhos amigos, ou irmãos. Ou irmãs, sei lá. O outro homem tinha um aspecto de marginal, de bandido, era pequeno e sujo — ela reparou ou intuiu que ele tinha sujeira debaixo das unhas compridas. Esse homem era um ladrão. Ele deu uns passos em direção à animada conversa entre Oscar e Madona e se transformou em outro homem, outro homem igualmente sujo e ladrão. De repente, todos estavam com os pênis à mostra e tentavam se masturbar, mas estava muito frio ali, eles batiam o queixo e não conseguiam ereção.”