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Quote by Mouloud Benzadi

“Avec toute sa diversité ethnique et culturelle, il n'y a nulle part ailleurs comme Londres pour ce qui est de la tolérance, de la compassion et de l'humanité.”

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Mouloud Benzadi

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“A quarta-feira amanhecia quando olhei pela janela. Nas pontes, as luzes cintilantes já haviam empalidecido. O sol nascente parecia um pântano de fogo no horizonte. O rio, ainda escuro e misterioso, cortado pelas pontes que tomavam uma coloração cinza e gélida, com um toque cálido do sol que ardia no céu. Ao percorrer com o olhar a multidão de telhados, com as torres e os campanários das igrejas que se elevavam sobre Londres em um céu invulgarmente claro, o sol nasceu e foi como se tivessem retirado um véu do rio, e milhões de fagulhas explodiram na superfície das águas. Também foi como se tivessem tirado o véu que me encobria, e me senti forte e bem-disposto.”

“Londres era a velha feiticeira que não morria. Que rejuvenescia em vez de envelhecer. Mas, em temperamento, permanecia o mesmo lugar que chamava a si os dias escuros de um Inverno interminável que se abatia sobre as horas do meio-dia como crepúsculo antes de tempo. Era a árvore milenar que apodrecia lentamente pela raiz com a humidade que chupava do Tamisa. As ruas da Londres moderna lutavam por receber mais luz. O centro da cidade crescera com a luminosidade do vidro e acabaria por expulsar a opacidade suja da pedra. Já não havia paredes que respeitassem a privacidade de quem habitava os edifícios. Os segredos tinham de ser mais cuidadosos se queriam existir. Era nas ruas antigas, onde as paredes de pedra ainda impediam a passagem da luz e a curiosidade dos olhares, que os segredos se refugiavam. Era nos edifícios centenários que moravam as recordações que queriam esconder-se, os segredos inconfessáveis, os demónios mais abomináveis e os fantasmas que não queriam desaparecer. Era lá, nas ruas muito mais velhas do que os nomes actuais que as identificavam no GPS, nas suas casas de paredes escuras, que todos se escondiam. Os que viviam e os que queriam voltar a viver.”

“Hay ciudades bellas y crueles, como París. O elegantes y escépticas, como Roma. O densas y obsesivas, como Nueva York. Londres no puede ser reducida a antropomorfismos. Siglos de paz civil, de comercio próspero, de empirismo y de cielos grises la han hecho indiferente como la misma naturaleza. Quizá exagero. Quizá Londres sea una proyección del carácter inglés. No hay sentimentalismos, ni derroches de pasión, ni verdades con mayúsculas. Por una u otra razón, Londres reúne las condiciones óptimas para que florezca la vida. Es difícil no sentirse libre en esa ciudad inabarcable y a la vez recoleta, sosegada como el musgo de sus rincones umbríos —una insignificancia vegetal que me conmueve, qué tontería—, donde caben el arte y su reverso técnico, el kitsch, sin estorbarse mutuamente, donde la Justicia, ese concepto peligroso, metafísico y continental, pesa menos que la sensatez a escala humana del fair play.”