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Quote by Christian Dunker

“O amor, porém, assim como o pecado, envolve atos, palavras e pensamentos, e como todo amor depende de ficção e metáfora, a forma como o praticamos é que levanta problemas. Pensar pode – fantasiar também –, obrigar o outro a participar, não. O problema é que as fantasias têm sede de realidade. Tântalo, Prometeu, Sísifo, as Danaides e os demais acorrentados do reino de Plutão só conseguem beber da água da realidade em fontes narcísicas, em cachoeiras repetitivas e em lagos pantanosos. Isso sugere uma dificuldade estrutural para toda forma de amor, representando uma tarefa ingrata quando se trata do processo de desamar alguém. A irrealização do amor, sua imanente virtualidade, sua contingência, que inclui o que aconteceu e o que poderia ter acontecido, continua a acontecer em nossa fantasia. Em outras palavras amamos também o que “poderíamos ter sido”, assim como temos saudade do que “nunca aconteceu”. É nesse sentido que o amor compreende sempre uma fantasia delirante de liberdade. Essa liberdade é pensada aqui não a partir de um limite exterior – independentemente de leis que permitem isto ou aquilo, e proíbem aquilo e aquilo outro –, mas de um limite interior, formado na experiência singular daquela pessoa com o outro amoroso, inclusive nessas diferentes qualificações do amor.”

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Work

A arte de amar

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Author

Christian Dunker

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“Quer motivo maior para falarmos do que amor e solidão? Falamos porque somos sós e precisamos proferir palavras para dar notícias de nós e receber algo do outro – e também falamos justamente porque nos somos insuficientes a nós e queremos nos dirigir ao outro. Então, falar é isso, usar o vazio da boca para pedir algo que não se sabe bem o que é. Quando pedimos alguma coisa, nunca conseguimos alcançar exatamente o que desejamos, porque aquilo que coincidiria exatamente com o buraco do desejo – pasmem! – não existe. Por isso aprendemos em psicanálise que o desejo é sempre insatisfeito, na medida em que satisfazê-lo inteiramente está fora do plano da criação humana. Nesse sentido, o desejo é indestrutível. O objeto que viria a realizá-lo existe apenas no campo da fantasia.”

“A gente não vive sem criar expectativas. Sem expectativas não há motivos para sair de casa, não escovamos nem os dentes, nem sequer abrimos os olhos. É disso que se faz a vida, de expectativas – um nome para a fantasia, talvez! A gente vive porque espera algo da vida. Ama porque espera algo do ser amado. Trabalha porque espera algo do nosso esforço. Expectativa e esperança têm uma relação etimológica com espera, que é bem o que se aprende a fazer nos caminhos do que chamamos de desejo, em psicanálise.”

“She wasn't particularly artistic, but without thought she knew the combination that would get her the color she wanted. Last night she'd arrived at a rich royal made up of layered cobalt blue and indigo, and she knew exactly what it would taste like. Dry, but not bitter, with a bold apple finish. Not shy of what it was, but proud and majestic. Tonight the greens she sketched spoke to her of gentle whispers and a soft sweetness, with just a lilt of apple, but very refreshing.”