Quote image editor
“Certos autores identificam três tipos de microagressões: microassaltos, microinsultos e microinvalidações. O primeiro designa um ato que expressa atitudes de desprezo ou de agressividade de uma pessoa em relação a outra em função de seu pertencimento social. Isso pode ocorrer por meio de falas ou comportamentos físicos que pressupõem uma diferença de valor entre pessoas; eles geralmente são conscientes e propositais, sendo então expressões de estereótipos negativos em relação ao outro. Estamos aqui diante daqueles indivíduos que evitam interações sociais com minorias, que não tratam minorias com a mesma cortesia que dispensam a pessoas do próprio grupo. Os microinsultos são formas de comunicação que demonstram de maneira expressa ou encoberta uma ausência de sensibilidade à experiência, à tradição ou à identidade cultural de uma pessoa ou um grupo de pessoas. Microinsultos podem ser não propositais, embora sejam manifestações de um sentimento de superioridade que uma pessoa sente em relação à outra por fazer parte do grupo dominante. Então, microinsultos decorrem de valorações culturais que atribuem importância distinta a grupos sociais e suas vivências de opressão ou das tradições culturais. Eles também podem assumir a forma de mensagens ou representações culturais derrogatórias quando símbolos ou ritos sinalizam desprezo por membros de grupos minoritários. O terceiro tipo, as microinvalidações, ocorre quando sujeitos deixam de atribuir relevância às experiências, aos pensamentos e aos interesses de um membro específico de uma minoria. Por exemplo, o indivíduo atribui valor a pessoas de sua própria raça quando falam sobre situações de estresse emocional, mas deixa de fazer o mesmo quando minorias afirmam que sofrem mentalmente em função de tratamentos discriminatórios. Parte-se do pressuposto de que a experiência da pessoa tem natureza diferente da que ela percebe, o que acontece, por exemplo, quando homossexuais contam casos de discriminação. A desconsideração da seriedade do relato desses indivíduos tem sido frequentemente utilizada como estratégia para negar a relevância da homofobia.” — Adilson José Moreira