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Quote by Bernardo E. Lopes

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O que disse o Imperador

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Bernardo E. Lopes

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“Então, se me perguntam se a amizade feminina é o novo amor romântico, digo que não. A amizade feminina não é uma substituta do amor romântico, ela é aquela que nos revela que o amor é muito mais do que este que sempre foi vendido para nós como o único caminho possível para a felicidade — até porque a realidade tem se mostrado bem diferente, casamento e felicidade nem sempre tem sido uma união tão estável assim para muitas mulheres. A amizade feminina é caminho para que nos libertemos deste modo de relacionamento criado para atar a mulher aos interesses políticos e econômicos da cultura capitalista e patriarcal. É a amizade feminina quem nos ensina sobre o amor, um amor que é revolucionário, pois nos convoca a nos amarmos antes de estarmos dispostas a amar o outro. É através da amizade com outras mulheres que reconhecemos a nós mesmas e o mundo à nossa volta. E, através da costura desses afetos, vamos também criando o mundo em que queremos viver.”

“Amigo mesmo só me lembro de um. Era alguns anos mais velho e dizia que eu tinha um futuro. Vivia lendo os jornais, as revistas especializadas, depois me contava que era tudo mentira. Recebia correspondência do estrangeiro, ouvia os clássicos, ia publicar em breve um tratado polêmico sobre não sei mais que matéria. Inventou e queria me ensinar uma língua chamada desesperanto, tendo organizado uma gramática e farto vocabulário. Dedicou-se numa fase à escultura comestível; ergueu no apartamento uma cidade inteira de marzipã, mas nunca chegou a expor. Também era dado a premonições; fazia certas previsões que ele mesmo se assustava e emudecia uma semana. E parece que tinha em seu passado uma história conhecida e admirada por gente da sua geração. Dessas histórias ele nunca me falou, e por isso eu o admirava mais. No bar, quando bebia além da conta, ou quando já chegava cheio de estimulantes no pensamento, dizia poemas. Havia noites, geralmente noites de sábado quando lotava o bar, que ele deixava cair na testa a franja negra e cismava de declamar em francês. Eu ficava sem jeito porque ele declamava alto demais e olhando para mim, e as outras pessoas na mesa não entendiam os versos. Eu, ele achava que eu pegava o sentido. O resultado é que sobrávamos só nós dois na mesa, porque as poucas pessoas que suportam poesia, não suportam francês.”

“Tinha acabado de explicar a nossa amizade como uma espécie de amor. O mesmo que sentira pelo meu pai, um amor perfeito, que não precisava de manifestações emotivas nem de qualquer compromisso forçado. Ouvir Smallgods negar a existência do amor era como dizerem-me que alguém tinha morrido. Ainda não lhe tinha contado que tinha enlouquecido no Verão. Enquanto ele estivera longe, tivera a certeza de que iria compreender. Agora, na sua presença, já não estava tão certo.”

“158 - Saber usar dos amigos. Há nisto a arte de ser discreto. Uns são bons para a distância e outros para a proximidade; e o que talvez não é bom para conversação o é para correspondência. Purifica a distância alguns defeitos que eram intoleráveis na presença. Não só há de se procurar o deleite, senão a utilidade. Um amigo é tudo e há de ter as três qualidades do bem: único, bom e verdadeiro. Poucos são os bons amigos, e o não sabê-los eleger os torna raros. Sabê-los conservar é mais que fazê-los amigos.”