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Claudia Durastanti Quotes

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Famous Claudia Durastanti Quotes

“Vou ao Clissold Park e percorro seus desire paths, os caminhos que se fazem por um efeito de erosão. São vias criadas pelos passos humanos ou de animais, o percurso mais batido para ir de um lugar a outro. Em italiano diríamos scorciatoia, atalho, no entanto a primeira vez que me deparei com a expressão desire path, me detive na palavra 'desejo' e me confundi, me enganei sozinha: me convenci de que os desire paths eram percursos imaginários construídos por pessoas que passeiam pela cidade em todas as horas, os lugares que preferem se perder ou se enfiar, pontos iluminados num mapa particular.”

“Em outra circunstância, na qual me convenci de que viveria de arte e desespero, da proximidade com um homem: 'Vocês contaram um para o outro seus passados cheios de tragédias, se sentiram melhor com isso? Tão especiais, tão parecidos', com uma voz terrível, e eu naquelas ocasiões me sentia sempre mortificada, tímida, tinha vergonha, mas naqueles comentários cruéis, com frequência verdadeiros, sentia também uma pulsação fortíssima de desejo, como se me conhecesse melhor do que qualquer um e antecipasse meu erro, ciente de cada defeito meu e com um controle e poder infinito de domá-lo, e sentia-me de novo conquistada, numa terra russa na qual não se cansava nem para tirar a pistola para um duelo, mas deixava cair a luva, deixava o salão de baile, e depois eu já não o via mais.”

“A história de uma família parece mais com um mapa topográfico do que com um romance, e uma biografia é a soma de todas as eras geológicas que você atravessou. Escrever-se a si mesma significa lembrar que você nasceu com raiva e que foi um despejo de lava denso e contínuo, antes que sua crosta endurecesse e rachasse para deixar aflorar uma espécie de amor, ou que a força inútil do perdão viesse polir e achatar qualquer formação de um vale em você. Reler-se a si mesma significa inventar aquilo pelo que você passou, detectar cada estrato de que está composta: os cristais de júbilo ou de solidão no fundo, as consequências de uma lembrança que evaporou, tudo o que foi escavado e depois inundado, apenas para se dar conta de que não é verdade que o tempo cura — há uma fratura que jamais será preenchida. A única coisa que o tempo faz é carregar consigo o pó e ervas daninhas, de modo que aquela fissura seja coberta até se transformar numa paisagem distinta, distante, quase de fábula, na qual se fala um idioma que não se conhece mais, tão verossímil quanto o élfico. Paisagens sobre as ruinas da sua família, e você se dá conta de que algumas palavras foram apagadas, mas outras salvas, algumas desapareceram, enquanto outras farão sempre parte da sua reverberação, e então finalmente se chega à margem do seu pai e da sua mãe, depois de anos acreditando que morrer ou enlouquecer fosse o único jeito de estar à altura deles. É lá então que você entende que tudo no seu sangue é uma chamada e você é somente eco de uma mitologia pregressa.”

“Tentem tomar decisões impensadas e distraídas sobre seu corpo quando são adolescentes ou ainda intactos. Sutiãs errados que fazem cair os peitos, dietas tempestivas que irão deixar uma teia de aranha de estrias como o craquelê num quadro a óleo, furos, tatuagens, dilatações, tentem fazer escolhas que poderão parecer erros e tentem obter um corpo que não é uma conquista, mas a soma de todas as suas inscrições, uma escrita em braille de erros. E pensar que será assim para sempre.”

“Podemos fracassar numa história de amor, na relação com a mãe. Mas quando uma cidade nos repele, quando não conseguimos entrar em seus mecanismos mais profundos e estamos sempre do outro lado do vidro, somos tomados de uma sensação frustrada de mérito, que pode se tornar doença. Estrangeiro é uma palavra belíssima, se ninguém se força a sê-lo; o resto do tempo, é apenas sinônimo de uma mutilação, e um tiro de pistola que nos damos sozinhos.”

“Um tempo atrás eu acreditava que falar de seres humanos era como falar de edifícios em colapso, de garotas que creem ser arranha-céus destinados a serem implodidos por um ataque terrorista interior. Mas quando penso em certas existências, só me vêm à mente geopolíticas que não foram atualizadas, antigas versões de WAR empoeiradas, onde houve nações devastadas pela dor, mas nas quais havia também fortalezas impenetráveis, condenadas a resistir, convencidas de que o assédio passaria, até que não restaram somente elas, e o corpo circunstante não se tornou um país no qual eram as únicas ditadoras.”