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Quote by Claudia Durastanti

“Vou ao Clissold Park e percorro seus desire paths, os caminhos que se fazem por um efeito de erosão. São vias criadas pelos passos humanos ou de animais, o percurso mais batido para ir de um lugar a outro. Em italiano diríamos scorciatoia, atalho, no entanto a primeira vez que me deparei com a expressão desire path, me detive na palavra 'desejo' e me confundi, me enganei sozinha: me convenci de que os desire paths eram percursos imaginários construídos por pessoas que passeiam pela cidade em todas as horas, os lugares que preferem se perder ou se enfiar, pontos iluminados num mapa particular.”

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Work

La straniera

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Author

Claudia Durastanti

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“Em outra circunstância, na qual me convenci de que viveria de arte e desespero, da proximidade com um homem: 'Vocês contaram um para o outro seus passados cheios de tragédias, se sentiram melhor com isso? Tão especiais, tão parecidos', com uma voz terrível, e eu naquelas ocasiões me sentia sempre mortificada, tímida, tinha vergonha, mas naqueles comentários cruéis, com frequência verdadeiros, sentia também uma pulsação fortíssima de desejo, como se me conhecesse melhor do que qualquer um e antecipasse meu erro, ciente de cada defeito meu e com um controle e poder infinito de domá-lo, e sentia-me de novo conquistada, numa terra russa na qual não se cansava nem para tirar a pistola para um duelo, mas deixava cair a luva, deixava o salão de baile, e depois eu já não o via mais.”

“[O]ur willingness to engage that mystery keeps desire alive. Faced with the irrefutable otherness of our partner, we can respond with fear or with curiosity. We can try to reduce the other to a knowable entity, or we can embrace her persistent mystery. [...] Eroticism resides in the ambiguous space between anxiety and fascination. We remain interested in our partners; they delight us, and we’re drawn to them.”

“O desejo é aquela chama que ilumina o sujeito em busca de algo que acredita ser uma fonte de realização. Além de iluminar, para dizer de maneira poética, o desejo é um estímulo ao psiquismo. Em busca de sua realização, o sujeito procura e freqüentemente encontra saídas, as mais diversas, para os obstáculos inerentes à vida. Surge a criatividade para facilitar a resolução de problemas. É o desejo, muito mais do que a disciplina, que mobiliza espontaneamente o sujeito à ação.”

“De modo que, sim, realizar o desejo todos os dias pode matar o desejo, mas conviver todos os dias com um objeto de amor não faz com que eu o ame menos. Ao contrário, me faz feliz. Depois de dez dias presa em casa, a caminhada me dá prazer porque estava em abstinência e finalmente realizei um desejo. E me faz feliz porque estava com saudades e finalmente pude reencontrar um amor. Esses dois planos se articulam e potencializam. Desfrutar daquilo que se ama e amar aquilo de que se desfruta são elementos que compõem a aptidão à felicidade.”