“De modo que, sim, realizar o desejo todos os dias pode matar o desejo, mas conviver todos os dias com um objeto de amor não faz com que eu o ame menos. Ao contrário, me faz feliz. Depois de dez dias presa em casa, a caminhada me dá prazer porque estava em abstinência e finalmente realizei um desejo. E me faz feliz porque estava com saudades e finalmente pude reencontrar um amor. Esses dois planos se articulam e potencializam. Desfrutar daquilo que se ama e amar aquilo de que se desfruta são elementos que compõem a aptidão à felicidade.” AmorFelicidadeDesejo Book:Notas sobre a aptidão à felicidade Source: Notas sobre a aptidão à felicidade
“Eu já estava conformada com a Coca-Cola. O garçom – descubro que ele também é brasileiro – percebe minha decepção. Cúmplice, piscando um olho, anuncia que, na falta de cerveja, pode me preparar uma caipirinha. Não está no cardápio, mas ele tem uma boa cachaça. Agradecida e feliz, aceito a sugestão. Esse garçom maravilhoso me ajuda a fazer o luto pela cerveja. Mas não é só porque me propõe uma caipirinha, coisa que eu sequer imaginava encontrar ali. Nem porque a caipirinha é tão boa quanto a cerveja. É porque o encontro com um ser humano empático, capaz de se identificar com a minha decepção, faz com que me sinta emocionalmente acompanhada na caminhada pela vida. Como já vimos, ninguém consegue realizar o luto sozinho. Se o garçom consegue empatizar com minha frustração, é porque também conhece essa dor. Imagine se ele me desse uma resposta sarcástica do tipo: “O que você acha, que é nossa única cliente?”. Não só não me ajudaria a fazer o luto, como azedaria meu passeio.” Luto Book:Notas sobre a aptidão à felicidade Source: Notas sobre a aptidão à felicidade