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Luto Quotes

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Luto Quotes

“Grief is a cruel kind of education. You learn how ungentle mourning can be, how full of anger. You learn how glib condolences can feel. You learn how much grief is about language, the failure of language and the grasping for language. Why are my sides so sore and achy? It’s from crying, I’m told. I did not know that we cry with our muscles. The pain is not surprising, but itsphysicality is: my tongue unbearably bitter, as though I ate a loathed meal and forgot to clean my teeth; on my chest, a heavy, awful weight; and inside my body, a sensation of eternal dissolving. My heart - my actual physical heart, nothing figurative here - is running away from me, has become its own separate thing, beating too fast, its rhytms at odds with mine. This is an affliction not merely of the spirit but of the body, of aches and lagging strength. Flesh, muscles, organs are all compromised. No physical position is comfortable. For weeks, my stomach is in turmoil, tense and tight with foreboding, the ever-present certainty that somebody else will die, that more will be lost. One morning, Okey calls me a little earlier than usual and I think, Just tell me, tell me immediately, who has died now. Is it Mummy?”

“— O Finn nem parecia se importar de estar morrendo – comentei. E era verdade. Finn estava calmo como sempre até a última vez em que o vi. — Você não sabe? Esse é o segredo. Se você sempre garantir que é exatamente a pessoa que esperava ser, se sempre garantir que conhece apenas as melhores pessoas, então não vai se importar de morrer amanhã. — Isso não faz nenhum sentindo. Se você fosse tão feliz, então iria querer ficar vivo, não iria? Iria querer ficar vivo para sempre, para continuar sendo feliz. — Não, não. São as pessoas mais infelizes que querem ficar vivas, por que acham que não fizeram tudo o que querem fazer. Acham que não tiveram tempo suficiente. Acham que ganharam menos do que mereciam.”

“Hubiese querido llevar luto esos meses, pero el luto ya no se lleva. Vestirme de un color distintivo, de amarillo canario, de naranja butano, de un tono deslumbrante que me marcase de lejos, que la gente dijese a mi paso: ¡cuidado! ahí viene una sufriente, ahí viene alguien que ha perdido un cachito de sí. Y que se hicieron para mí una alfombra de silencio solemne, una quietud compasiva. Hubiese querido llevar una letra escarlata que dijese al mundo que debía parar... porque a mí el mundo se me había parado.”

“Levamos para o casamento uma infinidade de expectativas ro- mânticas. As vezes, também visões de míticos êxtases sexuais. E impomos à nossa vida sexual muitas outras expectativas, muitos outros "devia ser", que o ato quotidiano do amor não consegue realizar. A terra devia tremer. Nossos ossos deviam cantar. Fogos de artifício deviam explodir. O ser consciente — o eu — devia ser queimado na pira do amor. Devíamos alcançar o paraíso, ou um fac-símile razoável. Nós nos desapontamos.”

“Mamá sabía ser alegre. Mamá sabía ser temerosa. Mamá sabía olvidar fácilmente. Y, sin embargo tenía buena memoria. Mamá me daba con la puerta en la narices, y sin embargo, me admitía en su baño. A veces mamá se me perdía, pero su instinto me encontraba. Cuando yo rompía vidrios, mamá ponía la masilla. A veces se instalaba en el error, aunque a su alrededor hubiera sillas suficientes. Aun cuando se encerraba en sí misma, para mí siempre estaba abierta. Temía las corrientes de aire y sin embargo no paraba de levantar el viento. Gastaba, y no le gustaba pagar impuestos. Yo era el revés de su medalla. Cuando mamá jugaba corazones ganaba siempre.”

“Em que consiste o trabalho realizado pelo luto? Não me parece descabido expor esse trabalho da forma seguinte. O exame da realidade mostrou que o objeto amado não mais existe, e então exige que toda a libido seja retirada de suas conexões com esse objeto. Isso desperta uma compreensível oposição - observa-se geralmente que o ser humano não gosta de abandonar uma posição libidinal, mesmo quando um substituto já se anuncia. Essa posição pode ser tão intensa que se produz um afastamento da realidade e um apego ao objeto mediante uma psicose de desejo alucinatório. O normal é que vença o respeito à realidade. Mas a solicitação desta não pode ser atendida imediatamente. É cumprida aos poucos, com grande aplicação de tempo e energia de investimento, e enquanto isso a existência do objeto perdido se prolonga na psique. Cada uma das lembranças e expectativa em que a libido se achava ligada ao objeto é enfocada e superinvestida, e em cada uma sucede o desligamento da libido. Não é fácil fundamentar economicamente porque é tão dolorosa essa operação de compromisso em que o mandamento da realidade pouco a pouco se efetiva. É curioso que esse doloroso desprazer nos pareça natural. Mas o fato é que após a consumação do trabalho do luto, o Eu fica novamente livre e desimpedido" (FREUD, Sigmundo. Luto e Melancolia, In _____. Introdução ao Narcisismo, Ensaios de metapsicologia e outros ensaios [1914-1916]. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. (vol. 12). p. 173.”

“Los románticos del XIX idealizaban el suicidio. Lo pintaban con rubores en las mejillas de Ofelia, lo escribían con heroísmo en Werther, lo enfundaban en vestidos blancos y lo dibujaban con una mano sobre la frente y unos ojos cerrados, plácidos, soñadores, bellos. Lo que Hernán se había hecho destruía toda idealización. Era un acto de salvajismo,, de desesperación, de inexplicable brutalidad. Una vez imaginado, Federico no pudo desprenderse de ese cuadro horripilante que lo llenaba de dolor. No podía darle validez ni descartarlo, porque nadie le permitió ver el cuerpo. Nadie le permitió conocer su apariencia durante el funeral. La impotencia de no poder hacer nada, la fantasía de miles de cosas que habría hecho de hallarse en el lugar exacto y en el momento justo, se colaron en su pecho junto a la opresión de saber que el chico que lo había acompañado desde la infancia, a quien él mismo se había jurado proteger, había sucumbido de la peor manera ante una muerte horrible. Y no había sido capaz de evitarlo.”

“Els records són mal·leables i és fàcil corregir-los, un pot retallar-ne les engrunes i posar-hi un altre fons, sucumbir als vicis dels nostres temps i retocar-los, jugar amb filtres que els embelleixin i fer-se un passat a mida per encarar un present de carn i ossos on no cal ser tan intransigent perquè ningú es colarà dins la nostra soledat per recordar-nos que aquella ombra no hi era i que aquell racó estava més il·luminat.”

“Nico deixara a porta aberta ao sair, e Otto sentia o vento da rua entrando em cheio. Nada no ar parado o fazia lembrar-se de Ada; era o vento que a trazia de volta, agitada, puxando-o pela mão nos dias de chuva. Otto levantou-se e abriu a janela da sala. A corrente de ar ficou mais forte. Achava desconcertante a esposa ter desaparecido assim, de uma hora pra outra, pois ela vivia na segunda-feira e, na terça, já não existia mais. Assim, de repente. Quando ventava, ele quase podia vê-la abrindo as portas de casa para sentir o cheiro das plantas, tentando adivinhar se as tulipas já haviam crescido. Ainda ouvia a voz da mulher quando algum vizinho dava risada; às vezes acordava de súbito com um fantasma se mexendo ao seu lado na cama ou o cheiro do Proteção Antecipada no ar. O sofá estava espaçoso demais, não havia mais vestidos ou pentes nem creme hidratante com aroma de pepino. Otto não tinha mais ninguém para derrubar as panelas na cozinha e fazer um barulho desnecessariamente espalhafatoso enquanto ele lia o jornal de manhã. “Tudo sob controle!”, ela gritava, derrubando uma pilha de tampas.”

“Eu já estava conformada com a Coca-Cola. O garçom – descubro que ele também é brasileiro – percebe minha decepção. Cúmplice, piscando um olho, anuncia que, na falta de cerveja, pode me preparar uma caipirinha. Não está no cardápio, mas ele tem uma boa cachaça. Agradecida e feliz, aceito a sugestão. Esse garçom maravilhoso me ajuda a fazer o luto pela cerveja. Mas não é só porque me propõe uma caipirinha, coisa que eu sequer imaginava encontrar ali. Nem porque a caipirinha é tão boa quanto a cerveja. É porque o encontro com um ser humano empático, capaz de se identificar com a minha decepção, faz com que me sinta emocionalmente acompanhada na caminhada pela vida. Como já vimos, ninguém consegue realizar o luto sozinho. Se o garçom consegue empatizar com minha frustração, é porque também conhece essa dor. Imagine se ele me desse uma resposta sarcástica do tipo: “O que você acha, que é nossa única cliente?”. Não só não me ajudaria a fazer o luto, como azedaria meu passeio.”

“Não sei se você já perdeu alguém muito próximo e querido. Quando uma pessoa morre, leva junto um mundo. O sentido de um mundo. Sua roupa deixa de ter utilidade. Esse casaco que lhe caía tão bem e de que ela tanto gostava não passa agora de um trapo pendurado em um cabide. Seus objetos emudecem: agora ninguém mais sabe o que significava essa xícara de porcelana com a qual sempre tomava chá, em que época foi comprada, que lembranças despertava. Ou essa pequena pedra polida que sempre trazia junto ao computador: de que montanha a trouxe, de que rio, por quê. As coisas se esvaziam de história e de essência e se convertem em lixo. Os mortos nunca vão sós: levam junto um pedaço do universo.”

“Quem sofre a perda de uma pessoa amada pensa muito a respeito da autopiedade. Nós nos preocupamos com ela, a tememos, vasculhamos nossos pensamentos em busca de sinais dela. Temos medo de que nossas reações denunciem a condição descrita, de forma reveladora, como “remoer o sofrimento”. Compreendemos a aversão que a maior parte de nós tem a “remoer o sofrimento”. O luto visível nos lembra a morte, o que é considerado antinatural, uma incapacidade de lidar com a situação. “Uma única pessoa está ausente, mas o mundo inteiro parece vazio”, escreveu Phillipe Ariès a respeito dessa aversão em História da morte no Ocidente. “Mas uma pessoa não tem mais o direito de dizê-lo em voz alta.” Lembramos a nós mesmos, repetidas vezes, que nossa própria perda não é nada se comparada à perda vivenciada (ou, ainda pior, não vivenciada) por aquele que morreu; essa tentativa de corrigir o pensamento serve apenas para nos fazer mergulhar ainda mais nas profundezas da autopiedade. (Por que não enxerguei isso, por que sou tão egoísta?) A própria linguagem que usamos, quando pensamos na autopiedade, revela a profunda repulsa que sentimos por ela: autopiedade é sentir pena de si mesmo, autopiedade é chupar dedo, autopiedade é ah,coitadinho de mim, autopiedade é o estado que se permitem, ou do qual até mesmo se comprazem, aqueles que sentem pena de si mesmos. A autopiedade permanece ao mesmo tempo o mais comum e o mais universalmente abominado de nossos defeitos, sua destrutividade pestilenta aceita como algo inevitável. “Nosso pior inimigo”, dizia Hellen Keller. Nunca vi um animal selvagem/ sentir pena de si mesmo, escreveu D.H. Lawrence em uma homilia de quatro versos muito citada que, quando analisada, se revela cheia de significados tendenciosos. Um pequeno pássaro cairá morto de um galho, congelado,/ sem nunca ter sentido pena de si mesmo.Isso pode ser o que Lawrence (ou nós) preferia acreditar em relação aos animais selvagens, mas consideremos os golfinhos, que se recusam a comer depois da morte do parceiro. Consideremos os gansos, que procuram pelo parceiro perdido até ficarem desorientados e morrerem. Na verdade, quem sofre essa perda tem razões urgentes, até mesmo uma necessidade urgente, para sentir pena de si mesmo. Maridos saem de casa, esposas saem de casa, divórcios acontecem, mas esses maridos e essas esposas deixam para trás teias de associações intactas, por mais amargas que sejam. Apenas aqueles que sobrevivem a uma morte ficam de fato sozinhos. As conexões que constituíam sua vida — tanto as profundas quanto as aparentemente insignificantes (até serem rompidas) — desaparecem por inteiro.”

“O poder que a dor de perder uma pessoa querida tem de perturbar a mente já foi exaustivamente investigado. O ato de sofrer por essa perda, nos disse Freud em Luto e melancolia, de 1917, “envolve um grande desvio da atitude normal em relação à vida”. No entanto, observou ele, essa dor permanece peculiar entre os transtornos: “Nunca nos ocorre encará-la como uma condição patológica e submetê-la a tratamento médico.” Em vez disso, nos apegamos ao fato de que “ela será superada depois de um lapso de tempo”. Encaramos “qualquer interferência em relação a ela como inútil e até mesmo prejudicial”. Melanie Klein, em seu texto de 1940, “O luto e sua relação com os estados maníaco-depressivos”, fez uma avaliação semelhante: “A pessoa que experimenta o luto está, na verdade, doente, mas como esse estado mental é tão comum e nos parece tão natural, não chamamos o luto de doença [...] Para expressar minha conclusão de maneira mais precisa: devo dizer que, durante o luto, o sujeito passa por um estado maníaco-depressivo modificado e transitório, que vai superar.” Note a ênfase em “superar”.”

“Alguém me disse que existem cinco estados de luto. Eu não sei. Nunca precisei de saber. Bem… pelo menos até agora. Um modelo qualquer, inventado por alguém, que não tinha mais nada que fazer a não ser atirar-nos à cara com o que estamos ou vamos sentir. Como se já não bastasse a negação, raiva e depressão, ainda podemos juntar antecipação à mistura; aquele sentimento de êxtase que sentimos ao descobrir que depois de te sentires mal, ainda vais continuar a sentir-te pior.”