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História Quotes

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História Quotes

“Não sei se você já perdeu alguém muito próximo e querido. Quando uma pessoa morre, leva junto um mundo. O sentido de um mundo. Sua roupa deixa de ter utilidade. Esse casaco que lhe caía tão bem e de que ela tanto gostava não passa agora de um trapo pendurado em um cabide. Seus objetos emudecem: agora ninguém mais sabe o que significava essa xícara de porcelana com a qual sempre tomava chá, em que época foi comprada, que lembranças despertava. Ou essa pequena pedra polida que sempre trazia junto ao computador: de que montanha a trouxe, de que rio, por quê. As coisas se esvaziam de história e de essência e se convertem em lixo. Os mortos nunca vão sós: levam junto um pedaço do universo.”

“Você não tem controle sobre como sua história começa ou termina. Mas por agora, você deve saber que todas as coisas têm um fim. Cada faísca retorna à escuridão. Cada som retorna ao silêncio. Cada flor retorna à terra. A viagem do sol e a lua é previsível. Mas a sua, é seu melhor.”

“O compromisso secular mais importante é para com a verdade que se baseia em observações e em provas e não apenas na fé. Os secularistas procuram não confundir verdade com crença. Se temos uma crença muito forte numa determinada história, isso pode revelar muitas coisas interessantes sobre a nossa psicologia, a nossa infância e a nossa estrutura cerebral – mas isso não prova que a história seja verdadeira.”

“As pessoas raramente depositam toda a sua fé numa única história. Em vez disso, mantêm um portefólio de várias histórias e várias identidades, mudando de uma para a outra à medida das necessidades. Essas dissonâncias cognitivas são inerentes a quase todas a sociedades e movimentos. (…) A modernidade não rejeitou a profusão de histórias que herdou do passado. Em vez disso, abriu um supermercado de histórias. O ser humano moderno tem liberdade para experimentá-las a todas, escolhendo e combinando aquilo que lhe aprouver.”

“Desde a tenra infância que se ensina às pessoas a acreditar na história. Elas ouvem os seus pais, professores, vizinhos e a cultura em geral muito antes de desenvolverem a independência intelectual e emocional necessária para questionar e verificar tais histórias. Quando o seu intelecto finalmente amadurece, estão de tal modo empenhadas na história que é muito mais provável que usem o seu intelecto para racionalizar a história do que para duvidar dela.”

“Estória não se confunde com História, mas tem o poder de moldá-la. E esse poder está fundado na imaginação humana, base de toda a criatividade. Sendo essas as duas forças motrizes das artes e das ciências. Sem elas não há criação de conhecimento inovador e disruptivo. O monopólio mais estratégico não é o da informação. Não. Muito mais estratégico e crítico é o monopólio da imaginação. E eu só digo uma coisa; quem controla a imaginação, controla a p... toda!”

“O trabalho de um compositor talentoso é criar expectativas e depois ou satisfazê-las ou frustrá-las. Mas o compositor não pode nem deve tentar um empolgamento constante. Como em qualquer história que se conte, ou mesmo num espetáculo de fogo de artifício, acrescentam-se algumas passagens mais calmas, deliberadamente, para que os momentos importantes causem mais efeito.”

“Que coisa é o passado? Uma mentira em que todos acreditam, uma espécie de ilusão colectiva credenciada pela urgência de haver um presente. Mais ainda num tempo tão vazio de crenças. É preciso um passado lustroso para haver futuro. (...) o futuro é que escreve o passado. (...) o que começou como poesia acaba se impondo como ciência. São os pássaros que criam o céu. Um rio é tanto a areia do leito como a água da correnteza. (...) A dimensão actual do futebol resulta da falta de dimensão de outras artes e outras festas. (...) Porque nós, meu irmão [Agualusa], nós já andamos a confundir as expectativas dos desavisados há muito. Escritores africanos de raça branca, ambos com nomes que sugerem entidades femininas. (...) Nós dizemos que temos ideias. Mas o inverso também é verdade: as ideias têm-nos a nós.”

“Vejo esses que chegam e saem a todo tempo. Tão seguros de si, tão felizes e prósperos. Dá uma vontade grande de chamar cada um e pedir, Deixa eu te contar uma história? Era uma vez um país que ficou décadas sem poder escolher o presidente, daí quando foi possível isso acontecer novamente escolheram tão errado que o novo cara meteu a mão na grana de todo mundo, sem pestanejar. E fez tanta merda que foi expulso do trono, e o irmão e o braço direito dele morreram de forma esquisita, e então ficou todo mundo olhando um para o outro dizendo, A culpa foi sua de ter colocado ele lá. Aí veio gente dizer que era melhor antes, quando outros escolhiam, porque essa galera não está preparada para a liberdade, e fim de papo. O cachorro correndo atrás do próprio rabo, e quando o morde tem raiva de estar sendo atacado, e então revida mordendo mais forte ainda.”

“Nem o cenário alternativo da Páscoa proposto por Lüdemann, no qual Pedro e Paulo experimentaram fantasias geradas pelo luto e culpa respectivamente, nem a alternativa de Crossan, na qual um grupo de escribas cristãos começou, anos depois da crucificação, a estudar as Escrituras e especular sobre o destino de Jesus, são baseadas em qualquer evidência. Aqueles que sentem a força das dúvidas de Marxsen sobre a evidência para a ressurreição de Jesus devem é ficar muito mais preocupados com estas reconstruções.”

“Isso é mais uma coisa que aprendi com o tempo, sabe? O bem e o mal não existem! Quer dizer, existir até que existem, mas apenas no contexto de uma pergunta importante: bem ou mal para quem? A questão é que tudo depende do ponto de vista, entende, filho? Pense numa partida de futebol, por exemplo. A vitória é ótima para o time que vence, mas a mesma vitória é amarga para quem perde. Não é? Agora, imagine que jogadores dos dois times sejam entrevistados para falar da partida. Os que ganharam com certeza elogiarão a atuação do seu time, enfatizarão a importância dos pontos obtidos com a vitória. No entanto, o jogador do time que perdeu reclamará dos erros da equipe, das condições desfavoráveis do gramado, descerá o pau na arbitragem e coisa e tal. No fim, para uns o resultado terá sido justo, enquanto outros tenderão a se sentir injustiçados. As coisas são sempre assim. Nossa visão depende sempre do lado em que estamos.”

“Há dois deveres em relação à nossa arquitetura nacional cuja importância é impossível superestimar: o primeiro, tornar a arquitetura atual, histórica; e o segundo, preservar, como a mais preciosa de todas as heranças, aquela das épocas passadas. É em relação à primeira dessas duas orientações que a Memória pode ser verdadeiramente considerada como a Sexta Lâmpada da Arquitetura.”

“A história é fundamental, uma vez que são os processos históricos que, através da deriva institucional, geram as diferenças que podem vir a tornar-se importantes durante as conjunturas críticas. Estas são, em si mesmas, pontos de viragem históricos. E os círculos vicioso e virtuoso implicam que é necessário estudarmos a história, para compreendermos as diferenças institucionais que se estruturaram historicamente.”

“Um ponto com o qual eles concordavam, era a vantagem que a história tinha para saber como se faziam as coisas. Uma cena, natural ou cultural, por mais detalhada que fosse, não dizia como se havia chegado a ela, em que ordem os elementos haviam aparecido, nem o encadeamento causal que havia levado àquela configuração. E justamente, a abundância de relatos em que se vivia, ficava explicada pela necessidade do homem em saber como as coisas haviam sido feitas. Agora, a partir deste ponto, Rugendas ia um passo mais adiante, para tirar uma conclusão bastante paradoxal. A título de hipótese, propunha que o silêncio dos relatos não implicava nenhuma perda, pois a geração atual, ou uma futura, podia voltar a vivenciar esses mesmos acontecimentos do passado, sem necessidade de que fossem relatados, por mera ação combinatória ou pelo império dos acontecimentos, ainda que tanto num caso como no outro a ação fosse filha de uma vontade deliberada. E até era possível que a repetição fosse mais completa se não houvesse relato. Em lugar do relato, e realizando com vantagem sua função, o que devia transmitir-se era o conjunto de "ferramentas" com o qual se podia reinventar, com a inocência espontânea da ação, o que havia sucedido no passado. O mais valioso que os homens fizeram, o que valia a pena que voltasse a acontecer. E a chave desta ferramenta era o estilo. Segundo esta teoria, então, a arte era mais útil que o discurso.”

“A natureza intercontinental da monarquia gerava um dilema e impunha, como remédio, a ambiguidade. Em Lisboa, o Governo sujeitou-se ao «plano continental» do imperador, para evitar uma invasão francesa na Europa, ao mesmo tempo que procurava, secretamente, a compreensão da Inglaterra, a fim de prevenir algum ataque inglês ao Brasil. Conseguiu assim irritar ambas as potências. No Outono de 1807, os ingleses enviaram a Lisboa uma esquadra, e os franceses, através de Espanha, sua aliada, um exército.”

“De onde vem a história? Da plebe. A quem se dirige? Á plebe. É o discurso que ele lhe faz muito parecido com o do demagogo: ninguém é maior do que vocês" diz este "e aquele que tiver a presunção de querer ser superior a vocês - vocês que são bons - é malvado"; e o historiador, que é seu duplo, o imita: "nenhum passado é maior do que seu presente e tudo o que na história pode se apresentar com ar de grandeza, meu saber meticuloso lhes mostrará a pequenez, a crueldade, e a infelicidade".”

“Poucos professores compreendem que a finalidade do ensino da história não deve consistir em aprender de cor datas e acontecimentos ou obrigar o aluno a saber quando esta ou aquela batalha se realizou, quando nasceu um general ou quando um monarca, quase sempre sem significação, pôs sobre a cabeça a coroa dos seus avós. (...) Aprender história quer dizer procurar e encontrar as forças que conduzem às causas das ações que vemos como acontecimentos históricos.”

“A literatura romântica muitas vezes apresenta o indivíduo como alguém lutando contra o Estado e o mercado. Nada poderia estar mais distante da realidade. O Estado e o mercado são a mãe e o pai do indivíduo, e o indivíduo só pode sobreviver graças a eles. O mercado nos fornece trabalho, seguro-saúde e uma aposentadoria. Se quisermos estudar uma profissão, as escolas do governo estão lá para nos ensinar. Se quisermos abrir um negócio, o banco nos empresta dinheiro.”

“No capítulo da fundação de Portugal é mister ensinar, pelas escolas, que fôra instituida a nova nação a despeito dos seus senhores actuaes, a despeito do povo que hoje a domina: «Nós, os portuguezes, descendentes de judeus e mouros (todos irmãos, «todos semitas) fômos humilhados na nossa terra pelo bárbaro «rei Afonso Henriques; mas a persistência do nosso sangue tem «demovido a pata usurpadora...”

“... a reconstrução dos mundos é uma das tarefas mais importantes do historiador. Ele deve empreendê-la não por algum impulso estranho que o leve a escavar arquivos e folhear papéis velhos, mas sim porque quer conversar com os mortos. Interrogando os documentos, e lhes escutando as respostas, pode sondar as almas daqueles já se foram e dar forma às sociedades nas quais eles viveram. Se interrompêssemos todo contato com os mundos que perdemos, seríamos condenados a viver em um presente bidimensional, transformado em uma jaula temporal, e o nosso mundo mesmo se tornaria mais raso”

“- Bom, espero que o mundo tenha aprendido a lição... - (...) Não aprendeu. A gente esquece com facilidade. As gerações se sucedem. Cada governo escreve a História de acordo com as suas conveniências. E eu acho, meu caro, que cada um de nós tem nas suas mais remotas cavernas interiores um troglodita adormecido que, submetido a um certo tipo de estímulo, vem rapidamente à tona de nosso ser e se transforma num déspota totalitário capaz de todas as bestialidades. E nunca faltará um falso humanista para inventar uma teoria filosófica com o objetivo de coonestar todas as monstruosidades cometidas pelo ''homem das cavernas''. - Não sou assim tão pessimista.”