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Yuval Noah Harari Quotes

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Yuval Noah Harari Quotes

“Hoje, os grandes ativos económicos consistem em conhecimentos tecnológicos e institucionais, e não em searas, minas, nem sequer poços de petróleo, e não é possível conquistar conhecimento através da guerra. (…) As guerras nucleares e a ciberguerra, por seu lado, são tecnologias de grandes danos e poucos lucros. Podemos usar essas ferramentas para destruir países inteiros, mas não para construir impérios lucrativos.”

“O compromisso secular mais importante é para com a verdade que se baseia em observações e em provas e não apenas na fé. Os secularistas procuram não confundir verdade com crença. Se temos uma crença muito forte numa determinada história, isso pode revelar muitas coisas interessantes sobre a nossa psicologia, a nossa infância e a nossa estrutura cerebral – mas isso não prova que a história seja verdadeira.”

“A Humanidade, provavelmente, dividir-se-á em duas grandes fações: a fação das pessoas a favor de se conceder à inteligência artificial uma autoridade significativa e a fação das que se opõem a isso. O mais certo é que haja muçulmanos e judeus em ambos os lados, justificando as suas posições através de interpretações criativas do Alcorão e do Talmude.”

“Qualquer narrativa que queira conquistar a filiação da Humanidade terá, acima de tudo, de se mostrar capaz de fazer frente às revoluções gémeas da tecnologia da informação e da biotecnologia. Se o liberalismo, o nacionalismo, o islão ou qualquer outro credo novo quiser moldar o mundo do ano 2050, terá não só de conseguir explicar a inteligência artificial, os algoritmos da BigData e a bioengenharia como também terá de os integrar numa nova narrativa com sentido.”

“O dogma dos direitos humanos foi criado em séculos anteriores como arma contra a Inquisição, o Ancien Régime, os nazis e o KKK. Dificilmente estará equipado para lidar com super-humanos, ciborgues e computadores superinteligentes. Embora o movimento em prol dos direitos humanos tenha desenvolvido um arsenal de argumentos e defesas impressionantes contra o preconceito religioso e os tiranos humanos, este arsenal pouco nos protegerá dos excessos consumistas e das utopias tecnológicas.”

“O problema é que o mundo é um sítio muito mais complicado do que um tabuleiro de xadrez, e a racionalidade humana não consegue compreendê-lo verdadeiramente. Assim, até os líderes racionais acabam, frequentemente, por fazer coisas muito estúpidas. (…) O desfecho pacífico da Guerra Fria mostra que, quando os seres humanos tomam decisões acertadas, até os conflitos entre superpotências podem ser resolvidos a bem.”

“Os terroristas calculam que, quando o inimigo enraivecido usa o seu enorme poder contra si, cria uma tempestade militar e política muito mais violenta do que eles algum dia conseguirão criar. Durante todas estas tempestades acontecem coisas imprevistas. Cometem-se erros e atrocidades, a opinião pública oscila, as pessoas neutras mudam de posição e o equilíbrio de poder altera-se.”

“Se o projeto europeu falhar, porém, isso indicará que a crença nos valores liberais da liberdade e da tolerância não bastam para solucionar os conflitos culturais do mundo e para unir a Humanidade perante a ameaça da guerra nuclear, do colapso ecológico e da disrupção tecnológica. (…) Seria uma enorme pena que a experiência europeia de liberdade e tolerância se desmoronasse devido a um medo exagerado dos terroristas. Isso não só seria a concretização dos objetivos terroristas, como também daria a um punhado de fanáticos demasiado poder para decidir o futuro da Humanidade.”

“A verdadeira especialidade dos sacerdotes e dos gurus nunca foi provocar a chuva, curar, fazer profecias ou magia. A sua especialidade foi sempre a interpretação. Um sacerdote não é alguém que sabe fazer uma dança da chuva para pôr fim à seca. Um sacerdote é alguém que sabe justificar por que motivo a dança da chuva não resultou, e por que motivo devemos continuar a acreditar no nosso deus apesar de ele parecer ignorar as nossas orações.”

“Para que as políticas sejam eficazes, temos de desglobalizar a ecologia, a economia e a marcha da ciência – ou então temos de globalizar a política. Não sendo possível desglobalizar a ecologia e a marcha da ciência, e dado que o desglobalizar da economia teria custos proibitivos, a única solução viável é globalizar a política. (…) Se alguns dos políticos não compreender estas questões, ou se falarem constantemente do passado, sem serem capazes de formular uma visão significativa do futuro, não vote neles.”

“A nota de dólar é venerada universalmente, para lá de fronteiras políticas e religiosas. Embora não tenha valor intrínseco em si – não se pode comer ou beber uma nota de dólar –, a confiança na divisa e na competência da Reserva Federal é tão sólida que até os fundamentalistas islâmicos, os barões da droga mexicanos e os tiranos norte-coreanos comungam dela.”

“Cada vez mais absortos em smartphones e computadores, temos estado a perder a capacidade de prestar atenção ao que cheiramos e saboreamos. Interessa-nos mais o que acontece no ciberespaço do que o que acontece na nossa rua. (…) Se acontece alguma coisa empolgante, o primeiro instinto dos utilizadores do Facebook é puxar do smartphone, tirar uma fotografia, colocá-la online e esperar pelos likes. Enquanto isso, mal se apercebem do que eles próprios sentem. Na verdade, o que sentem é cada vez mais determinado pelas reações online.”

“Não há motivo, no entanto, para pensar que a inteligência artificial vai adquirir consciência, porque a inteligência e a consciência são coisas muito diferentes. A inteligência é a capacidade de resolver problemas. A consciência é a capacidade de sentir coisas como dor, alegria, amor e raiva. Tendemos a confundir as duas porque, no caso dos seres humanos e de outros mamíferos, a inteligência anda de mãos dadas com a consciência. (…) O perigo é que, se investirmos muito no desenvolvimento da inteligência artificial e pouco no desenvolvimento da consciência humana, a sofisticada inteligência artificial dos computadores só servirá para dar mais poder à estupidez natural dos seres humanos.”

“Os filósofos são pessoas muito pacientes, mas os engenheiros têm muito menos paciência, e os investidores menos ainda. Se não sabemos o que fazer com a capacidade de criar vida, as forças do mercado não vão esperar mil anos até que nos ocorra a resposta. A mão invisível do mercado vai impor-nos a sua resposta cega. A menos que confiemos de bom grado o futuro da vida a relatórios e contas trimestrais, precisamos de ter uma ideia nítida sobre o que é a vida.”

“Os seres humanos, evidentemente, têm vontade, têm desejos e, por vezes, são livres de cumprir esses desejos. Se por «livre-arbítrio» entendermos a liberdade de fazer o que se deseja, então, sim, os seres humanos têm livre-arbítrio. Mas se o «livre-arbítrio» significar a liberdade de escolher aquilo que se deseja, então, não, os seres humanos não têm livre-arbítrio.”

“As pessoas raramente depositam toda a sua fé numa única história. Em vez disso, mantêm um portefólio de várias histórias e várias identidades, mudando de uma para a outra à medida das necessidades. Essas dissonâncias cognitivas são inerentes a quase todas a sociedades e movimentos. (…) A modernidade não rejeitou a profusão de histórias que herdou do passado. Em vez disso, abriu um supermercado de histórias. O ser humano moderno tem liberdade para experimentá-las a todas, escolhendo e combinando aquilo que lhe aprouver.”

“Desde a tenra infância que se ensina às pessoas a acreditar na história. Elas ouvem os seus pais, professores, vizinhos e a cultura em geral muito antes de desenvolverem a independência intelectual e emocional necessária para questionar e verificar tais histórias. Quando o seu intelecto finalmente amadurece, estão de tal modo empenhadas na história que é muito mais provável que usem o seu intelecto para racionalizar a história do que para duvidar dela.”

“No passado, era uma aposta relativamente segura seguir o que diziam os adultos, pois eles conheciam muito bem o mundo, e este mudava devagar. Mas o século XXI vai ser diferente. Devido ao ritmo cada vez mais acelerado da mudança, nunca poderemos saber ao certo se o conhecimento que os adultos nos estão a transmitir é intemporal ou se é tendencioso ou ultrapassado.”

“A última coisa que um professor precisa é de dar aos seus alunos mais informação. Eles já têm informação a mais. Em vez disso, as pessoas precisam é da capacidade de discernir a informação, de perceber a diferença entre o que é importante e o que é irrelevante, e, acima de tudo, de combinar os vários pedaços de informação para obter um retrato completo do mundo.”

“A arte desempenha um papel decisivo na forma como as pessoas veem o mundo, e no século XX a ficção científica é provavelmente o género literário mais importante de todos, pois influencia o modo como a maioria das pessoas compreende coisas como a inteligência artificial, a bioengenharia e as alterações climáticas.”

“É responsabilidade de todos nós investir tempo e esforço na descoberta das nossas tendenciosidades e na verificação das nossas fontes de informação; mas, precisamente por causa disso, temos de, pelo menos, investigar cuidadosamente as nossas fontes de informação preferenciais – sejam elas os jornais, um site, um canal televisivo ou uma pessoa. Se pagamos por comida de qualidade superior, roupas e carros, porque não fazer o mesmo com a informação?”

“O Homo Sapiens conquistou este planeta sobretudo graças à sua capacidade singular de criar e disseminar ficções. Somos os únicos mamíferos capazes de cooperar com vários estranhos porque só nós conseguimos inventar histórias fictícias, espalhá-las e convencer milhões de outros a acreditarem nelas. Desde que todos acreditem nas mesmas ficções, todos obedecem às mesmas ordens e, portanto, conseguem cooperar eficazmente.”

“A maioria dos líderes políticos e dos magnatas do mundo dos negócios está permanentemente com pressa. Porém, se queremos estudar um tema a fundo, precisamos de muito tempo e, em especial, do luxo de poder desperdiçar tempo. (…) Se não podemos dar-nos ao luxo de desperdiçar tempo, nunca encontraremos a verdade. Pior ainda, o poder em grande quantidade distorce a verdade inevitavelmente. O poder prende-se com a mudança da realidade, não com vê-la como ela é. (…) Se temos muito poder, todas as pessoas que vemos tentam lisonjear-nos, agradar-nos ou pedir-nos algo. (…) Se queremos realmente a verdade, então temos de nos afastar do buraco negro do poder e permitir a nós próprios gastar muito tempo a vaguear na periferia. O conhecimento revolucionário raramente chega ao centro, pois o centro está alicerçado no conhecimento já existente.”

“Não só a racionalidade como a individualidade são um mito. Os seres humanos raramente pensam pela própria cabeça. Pensamos em grupo. (…) Achamos que sabemos muito, embora individualmente conheçamos muito pouco, pois tratamos o conhecimento nas mentes dos outros como se fosse nosso. (…) É raro as pessoas contemplarem a sua ignorância, pois fecham-se numa caixa de ressonância de amigos que pensam como elas e de canais noticiosos que reforçam as suas convicções constantemente e quase nunca as questionam. (…) A maioria dos nossos pontos de vista é moldada pelo pensamento de grupo e não pela individualidade racional, e agarramo-nos a estas perspetivas devido à lealdade de grupo.”