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Ignorância Quotes

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Ignorância Quotes

“Não só a racionalidade como a individualidade são um mito. Os seres humanos raramente pensam pela própria cabeça. Pensamos em grupo. (…) Achamos que sabemos muito, embora individualmente conheçamos muito pouco, pois tratamos o conhecimento nas mentes dos outros como se fosse nosso. (…) É raro as pessoas contemplarem a sua ignorância, pois fecham-se numa caixa de ressonância de amigos que pensam como elas e de canais noticiosos que reforçam as suas convicções constantemente e quase nunca as questionam. (…) A maioria dos nossos pontos de vista é moldada pelo pensamento de grupo e não pela individualidade racional, e agarramo-nos a estas perspetivas devido à lealdade de grupo.”

“Tenho a náusea física da humanidade vulgar, que é, aliás, a única que há. E, capricho, às vezes, em aprofundar essa náusea, como se pode provocar um vómito para aliviar a vontade de vomitar. A intriga, a maledicência, a prosápia falada do que se não ousou fazer, o contentamento de cada pobre bicho vestido com a consciência inconsciente da própria alma, a sexualidade sem lavagem, as piadas como cócegas de macaco, a horrorosa ignorância da inimportância do que são...”

“A sociedade estava em declínio — e eu não queria ter nada com aquilo. O pior era ver que, ainda assim, se podia encontrar quem depositasse esperança naquela merda, quem acreditasse que tempos melhores viriam — a esperança sempre foi o psicotrópico dos ingênuos. Essa gente que parecia não se dar conta de que quem mais gostava das coisas como estavam (e torcia para que tudo continuasse exatamente como estava) era aquele pessoal escroto nas partes de cima da pirâmide. (Sim, a porra da pirâmide social, essa mesma!) Afinal de contas, a maioria ali sabia muito bem tirar muito proveito dessa vasta fauna de ignorantes esfomeados que as escolas produziam. Gente que, mais tarde, em troca de tão pouco, vinham lustrar seus sapatos caros, dirigir seus carros, abrir-lhes as portas, limpar suas privadas chiques e fétidas, trocar as fraldas igualmente repugnantes de seus filhinhos perfumados e mimados que, desde cedo, aprendiam a cagar em cima dos que os serviam. ‘A democracia num país de ignorantes é o paraíso terrestre dos patifes oportunistas.’.”

“Quantas vezes os tenho ouvido dizer a mesma frase que simboliza todo o absurdo, todo o nada, toda a insciência falada das suas vidas. É aquela frase que usam de qualquer prazer material: «é o que a gente leva desta vida»... Leva onde? leva para onde? leva para quê? Seria triste despertá-los da sombra com uma pergunta como esta... Fala assim um materialista, porque todo o homem que fala assim é, ainda que subconscientemente, materialista. O que é que ele pensa levar da vida, e de que maneira? Para onde leva as costoletas de porco e o vinho tinto e a rapariga casual? Para que céu em que não crê? Para que terra para onde não leva senão a podridão que toda a sua vida foi de latente? Não conheço frase mais trágica nem mais plenamente reveladora da humanidade humana. Assim diriam as plantas se soubessem conhecer que gozam do sol. Assim diriam dos seus prazeres sonâmbulos os bichos inferiores ao homem na expressão de si mesmos.”

“Um ponto com o qual eles concordavam, era a vantagem que a história tinha para saber como se faziam as coisas. Uma cena, natural ou cultural, por mais detalhada que fosse, não dizia como se havia chegado a ela, em que ordem os elementos haviam aparecido, nem o encadeamento causal que havia levado àquela configuração. E justamente, a abundância de relatos em que se vivia, ficava explicada pela necessidade do homem em saber como as coisas haviam sido feitas. Agora, a partir deste ponto, Rugendas ia um passo mais adiante, para tirar uma conclusão bastante paradoxal. A título de hipótese, propunha que o silêncio dos relatos não implicava nenhuma perda, pois a geração atual, ou uma futura, podia voltar a vivenciar esses mesmos acontecimentos do passado, sem necessidade de que fossem relatados, por mera ação combinatória ou pelo império dos acontecimentos, ainda que tanto num caso como no outro a ação fosse filha de uma vontade deliberada. E até era possível que a repetição fosse mais completa se não houvesse relato. Em lugar do relato, e realizando com vantagem sua função, o que devia transmitir-se era o conjunto de "ferramentas" com o qual se podia reinventar, com a inocência espontânea da ação, o que havia sucedido no passado. O mais valioso que os homens fizeram, o que valia a pena que voltasse a acontecer. E a chave desta ferramenta era o estilo. Segundo esta teoria, então, a arte era mais útil que o discurso.”