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Camilo Gomes Jr. Quotes

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Famous Camilo Gomes Jr. Quotes

“O céu noturno é uma lembrança de que, no universo, há menos luz do que escuridão. Ali, a luz parece apenas resistir (insistente em resistir) à opressão daquele espaço negro, vazio. Por isso, nos corpos celestes luminosos ou nos que refletem a luminosidade de outros, depositamos significados místicos, religiosos, mitológicos e científicos. Por isso lhes damos nomes. Próprios e comuns. Ao imenso fundo negro e vazio do espaço, porém, geralmente ignoramos. Nem sequer sabemos bem do que o chamar. Não o identificamos com uma palavra de conhecimento popular que o categorize, como planeta ou estrela, nem lhe damos um nome distintivo, como Saturno. Ainda assim, a escuridão está lá. Maior do que todo o resto.”

“A sociedade estava em declínio — e eu não queria ter nada com aquilo. O pior era ver que, ainda assim, se podia encontrar quem depositasse esperança naquela merda, quem acreditasse que tempos melhores viriam — a esperança sempre foi o psicotrópico dos ingênuos. Essa gente que parecia não se dar conta de que quem mais gostava das coisas como estavam (e torcia para que tudo continuasse exatamente como estava) era aquele pessoal escroto nas partes de cima da pirâmide. (Sim, a porra da pirâmide social, essa mesma!) Afinal de contas, a maioria ali sabia muito bem tirar muito proveito dessa vasta fauna de ignorantes esfomeados que as escolas produziam. Gente que, mais tarde, em troca de tão pouco, vinham lustrar seus sapatos caros, dirigir seus carros, abrir-lhes as portas, limpar suas privadas chiques e fétidas, trocar as fraldas igualmente repugnantes de seus filhinhos perfumados e mimados que, desde cedo, aprendiam a cagar em cima dos que os serviam. ‘A democracia num país de ignorantes é o paraíso terrestre dos patifes oportunistas.’.”

“Quando as coisas ao nosso redor perdem o sentido, é mais fácil atribuí-lo a absurdos. Foi o que acabei compreendendo. O problema de justificar insanidades é que nelas sempre encontramos o prazer mais sombrio de nossos primórdios esquecidos, aquele tempo em que não era permitido se iludir, em que não se devia olvidar por um instante sequer do que éramos: que éramos animais selvagens, violentos e traiçoeiros. Ainda somos, todos. Infelizmente, menos sob o véu da razão, que poderia melhor entender a natureza da criatura e mantê-la acorrentada, do que debaixo desse moralismo hipócrita e cínico da civilidade cotidiana. Sim, eu entendi. No final.”