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Livro Quotes

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Livro Quotes

“Queres acaso te ver livre da melancolia? Queres prazer, mas longe da louca agonia? Queres ler enigmas, e sua precisa solução, Ou preferes te afogar na tua contemplação? Queres a carne? Será não preferes, destarte, Ver um homem nas nuvens, ouvindo falar-te? Anseias ver-te num sonho, mas sem dormir? Ou não preferes a um só tempo chorar e rir? Não te atrai a ti mesmo te perderes sem dano? Pra depois te achares sem passe sobre-humano? Queres tu mesmo ler, sem sequer saber o quê, Sabendo, porém por essas linhas mesmas que lês, Se estás ou não abençoado? Ah, vem, então, E abre meu livro, uma só mente, um só coração.”

“Não o nego, mas cativa-me a ideia da possibilidade, da liberdade. Quando tenho muitos livros para ler, tenho escolha. Quanto menos tiver, mais a minha liberdade está confinada. Ela depende dos livros que não são lidos. Se temos apenas um caminho, não temos liberdade, teremos impreterivelmente de o seguir. Para ela existir, temos de ter possibilidades, muitas, porque só daí pode resultar uma escolha lúcida.”

“É no entanto verdade que um leitor tem de saber tentar falar a língua do livro. Falar a língua do livro e abandonar-se à sua melodia, deixar-se ir na corrente, em vez de desperdiçar forças remando contra a maré. Não digo que nos tenhamos que submeter, apenas que devemos estar disponíveis. O livro, ao ser escrito, já deu um grande passo na nossa direcção: é uma dádiva. Cabe-nos agora a nós retribuir a gentilieza e dar um passo na direcção do livro.”

“Na biblioteca da universidade passeava entre a estantes, em meio a milhares de livros, inalando o odor mofado do couro, do tecido e das páginas ressecadas como se fosse um incenso exótico. Às vezes se detinha, tirava um volume das prateleiras e o segurava em suas mãos grandes, que vibravam com o contato, ainda insólito, com a lombada, a capa e as páginas dóceis. Depois, folheava o livro, lendo um parágrafo aqui e ali, seus dedos rígidos virando as páginas, quase temerosos de destruir com seu desajeitamento o precioso conteúdo. Não tinha amigos, pela primeira vez em sua vida teve consciência de sua solidão. Às vezes, de noite em seu sótão, erguia os olhos de um livro que estava lendo e espiava os cantos escuros de seu quarto, onde a luz do lampião tremulava contra as sombras. Se olhasse fixo e atentamente, a escuridão se reuniria numa luz, que assumia a forma insubstancial do que estivera lendo. E ele sentia que estava fora do tempo, como sentira naquele dia na aula em que Archer Sloane falara com ele. O passado avolumava-se da escuridão onde jazia, e os mortos se erguiam para viver à sua frente, e juntos, fluíam para o presente entre os vivos, e assim, por um intenso instante, ele tinha a sensação de unir-se a eles numa única e densa realidade da qual não podia escapar. Tristão, Isolda a bela, caminhavam à sua frente; Helena, e o brilhantes Paris, seus rostos graves de amargura, erguiam-se da treva. E Stoner se sentia mais próximo deles do que de seus colegas que iam de aula em aula, hospedados numa grande universidade em Columbia, no Missouri, e que caminhavam distraídos em meio ao ar do Midwest.”

“Eu encontrei um livro. Daqueles que a gente encontra por acaso e logo se torna um dos nossos favoritos. A gente se identifica com ele e se apega. Quando percebemos, estamos devorando cada página, sentindo cada palavra como se fizesse parte da nossa própria história. Mas, por mais que eu goste desse livro, ele não se encaixa na minha estante. E não há nada que eu possa fazer além de deixar que ele volte para a estante onde sempre pertenceu.”

“Contanto somente como o poder de sua mente, você tem de operar os símbolos que estão diante de você a fim de elevar-se do estado de entendimento inferior ao estado de entendimento superior. Essa elevação consiste em uma leitura criteriosa - o tipo de leitura que todo o livro desafiador merece.”

“Um escritor até pode dar início a uma história, mas essa história só ganha vida com o leitor. E um livro nunca vive duas vezes da mesma forma. A narrativa não tem só que ver com as palavras que a compõem, mas também com quem lê essas palavras. Essa é a equação variável. É aí que reside a magia. A única coisa que um escritor pode fazer é oferecer um fósforo (e, de preferência, um fósforo seco). Depois, é o leitor que tem de acender essa chama e dar vida ao livro.”