Quotessence
Home / Topics / Solidão Quotes

Solidão Quotes

Browse 50 quotes about Solidão.

Solidão Quotes

“precisava deste resto de solidão para aprender sobre este resto de companhia. este resto de vida, américo, que eu julguei já ser um excesso, uma aberração, deu-me estes amigos. e eu que nunca percebi a amizade, nunca esperei nada da solidariedade, apenas da contingência da coabitação, um certo ir obedecendo, ser carneiro. eu precisava deste resto de solidão para aprender sobre este resto de amizade.”

“Quero insistir em que o que caracteriza e diferencia a amizade do amor não é a inexistência de trocas eróticas. [...] O que caracteriza a amizade é, antes de tudo, seu caráter de afinidade intelectual, provocando um tipo de aconchego também intelectual, enquanto o amor determina aconchego físico, muito menos discriminado e no qual as afinidades podem ou não existir.”

“Espero que não pense que sou um monstro por escolher minha vida, ao menos uma vez. Foi preciso deixar meu sonho e meu amor morrerem para que eu percebesse que ainda estava viva. Só sei que não posso continuar naquela personagem, aquela versão mal-acabada de mim, um zumbi que se perdeu. Tudo o que preciso é de uma chance de sair desse beco no qual me encontro. Entenda, há coisas que, depois que descobrimos, nunca mais nos deixam voltar atrás. Não é como se você pudesse esquecer aquilo o que aprendeu.”

“Decidido a deixar para sempre este mundo e suas misérias, por fim, passei a vagar por estas montanhas, galgando suas escarpas, consumido por um anseio que somente você pode satisfazer. Você não deve ir embora antes de me prometer o que vou lhe pedir. Sinto-me só e miserável. O ser humano jamais aceitará minha companhia, mas alguém tão deformado e horrendo como eu não se negará a isso. Minha companheira deve ser da mesma espécie e ter os mesmos defeitos. Você tem de criar esse ser.”

“Na biblioteca da universidade passeava entre a estantes, em meio a milhares de livros, inalando o odor mofado do couro, do tecido e das páginas ressecadas como se fosse um incenso exótico. Às vezes se detinha, tirava um volume das prateleiras e o segurava em suas mãos grandes, que vibravam com o contato, ainda insólito, com a lombada, a capa e as páginas dóceis. Depois, folheava o livro, lendo um parágrafo aqui e ali, seus dedos rígidos virando as páginas, quase temerosos de destruir com seu desajeitamento o precioso conteúdo. Não tinha amigos, pela primeira vez em sua vida teve consciência de sua solidão. Às vezes, de noite em seu sótão, erguia os olhos de um livro que estava lendo e espiava os cantos escuros de seu quarto, onde a luz do lampião tremulava contra as sombras. Se olhasse fixo e atentamente, a escuridão se reuniria numa luz, que assumia a forma insubstancial do que estivera lendo. E ele sentia que estava fora do tempo, como sentira naquele dia na aula em que Archer Sloane falara com ele. O passado avolumava-se da escuridão onde jazia, e os mortos se erguiam para viver à sua frente, e juntos, fluíam para o presente entre os vivos, e assim, por um intenso instante, ele tinha a sensação de unir-se a eles numa única e densa realidade da qual não podia escapar. Tristão, Isolda a bela, caminhavam à sua frente; Helena, e o brilhantes Paris, seus rostos graves de amargura, erguiam-se da treva. E Stoner se sentia mais próximo deles do que de seus colegas que iam de aula em aula, hospedados numa grande universidade em Columbia, no Missouri, e que caminhavam distraídos em meio ao ar do Midwest.”

“Arranquei do calendário os dias de Maio e de Junho, disse Susan, e vinte e dois dias de Julho. Arranquei-os e amarfanhei-os, e por isso já só existem como um peso no meu coração. São dias mutilados, como borboletas nocturnas com as asas arrancadas, incapazes de voar. Já só faltam oito dias. Dentro de oito dias, descerei do comboio e ficarei parada no cais às seis e vinte e cinco. A minha liberdade vai então desabrochar, fazendo estalar todas as obrigações que me tolhem e diminuem — os horários, a ordem, a disciplina, o ter de estar aqui e ali a horas certas. O dia explodirá de brilho quando eu abrir a porta e vir o meu pai com o seu velho chapéu e as polainas. Vou tremer. Romper em lágrimas. Depois, na manhã seguinte, levanto-me de madrugada. Saio pela porta da cozinha. Irei pelo paul, ouvindo trovejar atrás de mim os grandes cavalos montados por fantasmas que de súbito se detêm. Verei a andorinha roçando a erva. Vou atirar-me para um banco junto ao rio e ficar a ver os peixes deslizando entre os juncos. Terei nas palmas das mãos as marcas das agulhas dos pinheiros. Então poderei desdobrar e examinar com atenção tudo o que aqui nasceu em mim, qualquer coisa de duro. Porque alguma coisa cresceu dentro de mim, através do Inverno e do Verão, dos dormitórios e escadarias. Ao contrário de Jinny não quero ser admirada. Não quero que as pessoas ergam os olhos de admiração quando entro. Quero dar e receber e quero a solidão onde possa desdobrar em paz tudo o que possuo.”

“Toda tentativa de pulverização do eu que sofre só me deixa mais ciente de sua solidez. Nunca estive tão consciente da utopia que é viver no presente (que, pra mim, só existe assombrado pelo passado e pelo futuro, que sempre estiveram aqui e agora, mas raramente notados). Essa consciência é a parte maravilhosa de meditar e, por enquanto, é só isso. Como questionar a realidade da assombração, algo que vem do passado e acossa o presente querendo dizer algo sobre o futuro, quando seus contornos se tornam cada vez mais nítidos? Como não prestar atenção a uma situação na qual não resta dúvida de que me tornei um fantasma pra minha filha e ela se tornou um fantasma pra mim? É como se eu tivesse uma rede de pesca em minhas mãos e não conseguisse fazer nada com ela, porque fui hipnotizada por seus buracos.”

“Senti muita paz e escutei a beleza que o fogo me contava. Senti arrependimento porque não ouvi antes o seu chamado. Pedi perdão à fogueira porque não tinha vindo nos outros anos. É que eu estava confusa, é que eu precisava estar só, é que as pessoas são difíceis, é que nem sempre quero estar. Eu senti que o fogo me compreendia. Se alguém na vida me compreendia, esse alguém era o fogo.”

“Detesto seguir alguém assim como detesto conduzir. Obedecer? Não! E governar, nunca! Quem não se mete medo não consegue metê-lo a ninguém, E só aquele que o inspira pode comandar. Já detesto guiar-me a mim próprio! Gosto, como os animais das florestas e dos mares, De me perder durante um grande pedaço, Acocorar-me a sonhar num deserto encantador, E forçar-me a regressar de longe aos meus penates, Atrair-me a mim próprio... para mim.”

“Ao estudar a literatura romântica portuguesa, a mãe convencera-o a escrever um ensaio sobre Eurico o Presbítero, explicando-lhe, com palavras que eram sempre surpreendentes pelo contraste enter a delicadeza da voz que as pronunciava e a veemência apaixonada daquilo que diziam, que o tema romântico por excelência é a solidão do homem perante Deus, a Natureza e os outros homens, e que por isso o romantismo é a adolescência do mundo, a primeira vez na história em que emergem vozes e espíritos aos quais ninguém podia ensinar nada e que não podiam imitar ou emular ninguém porque a violência e o desequilíbrio dos seus sentimentos não se revia em qualquer experiência alheia. Foi nessa ocasião que lhe recitou pela primeira vez o texto “Sabeis o que é esse despertar do poeta?” e lhe perguntou se não era exactamente aquilo que sentia: que ninguém o podia compreender, nenhuma alma se erguia à sua altura, que a vileza e a decepção moravam no coração do destino, e que só uma solidão vertical frente ao bramido do mar ao rugido dos ventos poderia dar conta do tumulto que lhe perturbava o espírito.”

“(...) e nunca me disseram o nome daquele oceano esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas punha-me a olhar a risca do mar ao fundo da rua assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar se espantasse com a minha solidão. (anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.) um dia houve que nunca mais avistei cidades crepusculares e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta inclino-me de novo para o pano deste século recomeço a bordar ou a dormir tanto faz sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade”

“Nenhum ser humano esquece o dia em que o pai morreu. Dizem que é o momento em que nos tornamos adultos e o futuro nos é confiado como a chave de uma mansão em que somos, enfim, herdeiros. Fingimos que assumimos a vida como senhores do nosso destino, mas a orfandade nada nos oferece a não ser a solidão dos que se descobrem entregues à sua morte.”