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Livros Quotes

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Livros Quotes

“Naquele tempo o comércio dos livros era, como ainda hoje, artigo de luxo; todavia, apesar de mais baratas, as obras literárias tinham menor circulação. Provinha isso da escassez das comunicações com a Europa, e da maior raridade de livrarias e gabinetes de leitura. Cada estudante, porém, levava consigo a modesta provisão que juntara durante as férias, e cujo uso entrava logo para a comunhão escolástica. Assim correspondia São Paulo às honras de sede de uma academia, tornando-se o centro do movimento literário. Uma das livrarias, a que maior cabedal trazia a nossa biblioteca, era de Francisco Otaviano, que herdou do pai uma escolhida coleção das obras dos melhores escritores da literatura moderna, a qual o jovem poeta não se descuidava de enriquecer com as últimas publicações. Meu companheiro de casa era dos amigos de Otaviano, e estava no direito de usufruir sua opulência literária. Foi assim que um dia vi pela primeira vez o volume das obras completas de Balzac, nessa edição em folha que os tipógrafos da Bélgica vulgarizam pôr preço módico. As horas que meu companheiro permanecia fora, passava-as eu com o volume na mão, a reler os títulos de cada romance da coleção, hesitando na escolha daquele pôr onde havia de começar. Afinal decidia-me pôr um dos mais pequenos; porém, mal começada a leitura, desistia ante a dificuldade. Tinha eu feito exame de francês à minha chegada em São Paulo e obtivera aprovação plena, traduzindo uns trechos do Telêmaco e da Henriqueida; mas, ou soubesse eu de outiva a versão que repeti, ou o francês de Balzac não se parecesse em nada com o de Fenelon e Voltaire; o caso é que não conseguia compreender um período de qualquer dos romances da coleção. Todavia achava eu um prazer singular em percorrer aquelas páginas, e pôr um ou outro fragmento de ideia que podia colher nas frases indecifráveis, imaginava os tesouros que ali estavam defesos à minha ignorância. Conto-lhe este pormenor para que veja quão descurado foi o meu ensino de francês, falta que se deu em geral com toda a minha instrução secundária, a qual eu tive de refazer na máxima parte, depois de concluído o meu curso de direito, quando senti a necessidade de criar uma individualidade literária. Tendo meu companheiro concluído a leitura de Balzac, a instâncias minhas, passou-me o volume, mas constrangido pela oposição de meu parente que receava dessa diversão. Encerrei-me com o livro e preparei-me para a luta. Escolhido o mais breve dos romances, armei-me do dicionário e, tropeçando a cada instante, buscando significados de palavra em palavra, tornando atrás para reatar o fio da oração, arquei sem esmorecer com a ímproba tarefa. Gastei oito dias com a Grenadière; porém um mês depois acabei o volume de Balzac; e no resto do ano li o que então havia de Alexandre Dumas e Alfredo Vigny, além de muito de Chateaubriand e Victor Hugo. A escola francesa, que eu então estudava nesses mestres da moderna literatura, achava-me preparado para ela. O molde do romance, qual mo havia revelado pôr mera casualidade aquele arrojo de criança a tecer uma novela com os fios de uma ventura real, fui encontrá-lo fundido com a elegância e beleza que jamais lhe poderia dar.”

“Não o nego, mas cativa-me a ideia da possibilidade, da liberdade. Quando tenho muitos livros para ler, tenho escolha. Quanto menos tiver, mais a minha liberdade está confinada. Ela depende dos livros que não são lidos. Se temos apenas um caminho, não temos liberdade, teremos impreterivelmente de o seguir. Para ela existir, temos de ter possibilidades, muitas, porque só daí pode resultar uma escolha lúcida.”

“(...)conforme a literatura que vi e os embalos que vivi e abalos com os quais convivi. Engraçado como alguns livros e algumas pessoas aparecem na nossa vida em um momento preciso, quando precisamos exatamente daquele insight, daquele olhar diferente que eles nos passam e passam por nossas vidas assim, como um passe de magica. C'est la vie et la vue...c'est vecue! É a vida vivida, que a vi e vivi!!”

“E assim, do pouco dormir e do muito ler, se lhe secou o cérebro de maneira que acabou por perder o juízo. Encheu-se-lhe a fantasia de tudo aquilo que lia nos livros, tanto de encantamentos como de pendências, batalhas, desafios, feridas, requebros, amores, tormentas e disparates impossíveis; e firmou-se-lhe de tal modo na imaginação, que era verdade toda aquela máquina daquelas sonhadas invenções que lia.”

“O ser humano é a soma daquilo que viveu e do que leu. E o que lemos ajuda-nos a compreender o que vivemos. É uma espécie de enzima, de levedura, que faz com que o que vivemos fermente. Fui repórter de guerra muito novo e fiz isso durante 20 anos. Ter lido a "Ilíada" ou a "Odisseia" ajudou-me a entender melhor o que ia vendo. Os livros à mistura com a memória produzem uma fermentação, que é algo pessoal. É impossível digerir bem o resultado da vida se não houver livros que o permitam. -- Entrevista ao Expresso, publicada em 29/01/2021 na Edição nº 2518 da Revista”

“um bom livro deve ter mais do que uma pele, deve ser um prédio de vários andares. O rés-do-chão não serve à literatura. está muito bem para a construção civil, é cómodo para quem não gosta de subir as escadas, útil para quem não pode subir as escadas, mas para a literatura há que haver andares empilhados uns em cima dos outros. Escadarias e escadarias, letras abaixo, letras acima.”

“Nenhum outro menino em seu círculo de conhecidos tinha lido o que ele tinha lido e, como tia Mildred escolhia os livros cuidadosamente para ele, assim como havia escolhido para a irmã, em seu período de confinamento, treze anos antes, Ferguson lia os livros que ela mandava com uma avidez que parecia fome física, pois sua tia compreendia quais livros iam dos seis para os oito anos de idade, dos oito para os dez, dos dez para os doze — e daí até o fim do ensino médio. Contos de fadas, para começar os Irmãos Grimm e os livros muito coloridos compilados pelo escocês Lang, depois os fantásticos e assombrosos romances de Lewis Carroll, George MacDonald e Edithh Nesbit, seguidos pelas versões de mitos gregos e romanos escritas por Bulfinch, uma adaptação infantil de Odisseia, A teia de Charlotte, uma adaptação de As mil e uma noites, remontadas com o título de As sete viagens de Simbad, o Marujo, e mais adiante, uma seleção de seiscentas páginas de As mil e uma noites originais, e no ano seguinte O médico e o monstro, contos de horror e mistério de Poe, O príncipe e o mendigo, Raptado, Um conto de Natal, Tom Sawyer e Um estudo em vermelho, e a reação de Ferguson foi tão forte ao livro de Conan Doyle que o presente que ele ganhou da tia Mildred em seu décimo primeiro aniversário foi uma edição imensamente gorda, abundantemente ilustrada, de Histórias Completas de Sherlock Holmes.”

“desde os primeiros séculos da escrita até à idade Média, a norma era ler em voz alta, para si próprio ou para os outros, e os escritores pronunciavam as frases à medida que as escreviam ouvindo assim a sua musicalidade. Os livros não eram uma canção que se cantava com a mente, como agora, mas sim uma melodia que saltava para os lábios e soava em voz alta. O leitor convertia-se no intérprete que lhe emprestava as suas cordas vocais. (...) quando se lia um livro costumava haver testemunhas. Eram frequentes as leituras em público,e os relatos que agradavam andavam de boca em boca.”

“Os intelectuais vendiam as suas bibliotecas ao desbarato. O público empobreceu, é claro, mas não era por isso que retiravam os livros de casa, não era apenas por dinheiro – os livros desiludiam. Uma desilusão completa. Já se tornava deselegante perguntar: “O que andas a ler agora?” Muita coisa mudou na vida e isso não estava nos livros. Os romances russos não ensinam a ter êxito na vida. A maneira de enriquecer… Oblomov está deitado no sofá, e os heróis de Tchékhov passam o tempo a beber chá e a queixar-se da vida…”

“A oposição à prensa teve consequências óbvias para a literacia, a educação e o êxito económico. (…) Os livros difundem ideias e tornam muito mais difícil controlar a população. Algumas dessas ideias podem ser maneiras novas e valiosas de aumentar o crescimento económico, mas outras podem ser subversivas e contestar o status quo político e social.”

“Uma noite, a biblioteca começou a ser fechada justamente quando chegou a um trecho de Emma em que parece que o sr. Knightley vai se casar com Harriet, e ele teve que fechar o livro e voltar andando para casa em um estado de estranha agitação emocional. Está achando graça de si mesmo, se deixando levar pelo drama dos romances desse jeito. Parece intelectualmente frívolo se preocupar com pessoas ficcionais se casando. Mas é isso: a literatura o comove. Um de seus professores chama essa sensação de “o prazer de ser tocado pela grande arte”. Nessas palavras, parece quase sexual. E de certo modo, o que Connell sente quando o sr. Knightley beija a mão de Emma não é totalmente assexual, embora sua relação com a sexualidade seja indireta. Isso sugere a Connell que a mesma imaginação que ele usa como leitor é também necessária para entender as pessoas de verdade, e para se tornar íntimo delas.”

“A real razão continua inescrutável - a leitura nos dá prazer. É um prazer complexo e um prazer difícil; varia de época para época e de livro para livro. Mas ele é suficiente. Na verdade, o prazer é tão grande que não se pode ter dúvidas de que sem ele o mundo seria um lugar muito diferente e muito inferior ao que é. Ler mudou, muda e continuará mudando o mundo.”

“Em Portugal ainda lêem os Lusíadas? Sim, confirmei. Os jovens portugueses são forçados a ler Os Lusíadas no liceu. Isso explica porque muitos nunca o leram. (...) Deviam proibi-lo, disse. Deviam retirar de circulação todos os exemplares existentes. Talvezx mesmo queimá-los. Se os proibissem seria um enorme sucesso. Imagine então se o queimassem em praçã pública com as televisões a filmarem. Seria um sucesso internacional.”