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Descoberta Quotes

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Descoberta Quotes

“Instintivamente acaricia o velo de cedro penumbroso, bosque arruivado a ensombrar-lhe o cimo das coxas; curva-se de novo e, admirada, vai tão longe quanto pode na abordagem tímida dos lábios de anil da molhada boca do seu ventre. A separá-los: penetrando, afagando-os, a sentir os dedos numa humidade lenta, um orvalho dolente, uma resina turva. Ali, onde há sucos e gosto sem ferida. Ali, onde há fenda, há céu, há mar. Mato de se perder na busca da vertigem no assombro da ousadia do acto; gosto e travo a rosa insatisfeita, odor de chuva, de cardo, de almíscar. Perfume de nardo a desatar-lhe os nervos, enquanto persegue o improvável mapa do delírio: mais acima a mina, e logo abaixo o poço. Modorra de papoila a florescer no alto, a entumescer ao tacto. Prazer diverso e gozo que a muda, e ela transgride, voa, cresce. E tanto no clítoris como na vulva, o bordado a cheio vai-se enredando, matizando, demorando nas caprochosas cores, nos desenhos, nas misteriosas linhas de agulha onde se enleia. Veia que o fogo entorna, toma e incendeia. Na procura do êxtase. E Leonor ondeia. Rola enovelada em cima do leito onde se distende, roda e cede a galgar o parapeito de si própria, deixando a razão apagada à cabeceira. Rodopia. Resvala. Mãos descendo e subindo, indo e vindo, na descoberta dos desvãos, do topo, dos secretos recantos de segredo, em todos os lugares e tempos que o orgasmo guarda. Entorna. Derrama. Grita e explode. Gemendo sob o pulso que lhe amordaça a fala pelo próprio avesso. Assim leve, assim solta, assim livre. Leonor corre, voa, nada, desvenda. E finalmente foge. Consigo mesma.”

“Durante o segundo ano sofreu uma mudança. Tinha-se mudado para dentro do colégio e este começou a assimilá-lo. Talvez passasse os dias como dantes, mas quando os portões se fechavam sobre ele à noite iniciava-se um novo processo. Mesmo quando ainda era caloiro fez a importante descoberta de que os homens crescidos comportam-se educadamente uns com os outros, se não houver qualquer motivo em contrário. (...) As atitudes dos professores eram mais extraordinárias ainda. Maurice estava mesmo só a precisar de um ambiente assim para acalmar. Não lhe agradava ser bruto e grosseiro. Era contra a sua natureza. Mas isso tinha sido necessário no colégio ou ele não teria aguentado, e julgara que comportamentos assim seriam ainda mais necessários no maior campo de batalha que era a Universidade. ----------------------------------------------------- p.32, MAURICE, E.M. FORSTER”

“Então o mundo parou, os olhos na janela toma a decisão certa, a decisão certa, o medo de falhar volta sempre, não é o medo de escolher a estrada errada, o mundo parou, os olhos na janela, as coisas, essas, correm sempre pelo pior, pelo pior, e o medo, o medo volta, volta sempre, sempre, tu e todas as coisas do mundo numa harmonia do erro e do cálculo falhado - o mundo parou. O teu corpo é fraco, é fraco, fraco, a tua mão desce dentro das cuecas e masturbas-te freneticamente, o medo, masturbas-te três quatro vezes seguidas, o medo volta sempre, sempre, sempre, e tens de tomar a decisão, a decisão certa, porque o mundo dá voltas e voltas e a certa alturas pára - tu não mandas nada, simplesmente, e uma vez mais, o mundo parou. Os teus olhos na janela, na janela da casa, onde um sol bem quente te perturba os pensamentos, ea tua boca a deitar fora as palavras, toma a decisão certa, a decisão certa, certa, com esse medo de falhar a cada esquina, com esse corpo a verter sémen nos lençóis e o medo, o medo, o medo, o medo, a fazer abrir-te muito os olhos, a janela, a fazer-te chorar um pouco, mas só um pouco, naquela incerteza de coisa a fazer - sim, porque tem de haver algo a fazer, não é? Então o mundo parou, parou outra vez, os olhos na janela, a decisão certa, certa.”