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Granta Portugal 4: África

Book by Mia Couto · 5 quotes · Cartaria, Cultura, A Minha Mãe é Um Peixe

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Granta Portugal 4: África Quotes

“A incerteza, afinal é o que me faz escrever. (...) escrevo porque estou perdido. Escrevo porque não sei ler mapas. Acredito, finalmente, que a ficção histórica me ajuda a compreender o presente. O que mais me surpreende é descobrir a actualidade de muitas das questões com que as pessoas se debatiam em Angola no século XVII. (...) o poeta (...) usa a palavra para iluminar a solidão.”

“Que coisa é o passado? Uma mentira em que todos acreditam, uma espécie de ilusão colectiva credenciada pela urgência de haver um presente. Mais ainda num tempo tão vazio de crenças. É preciso um passado lustroso para haver futuro. (...) o futuro é que escreve o passado. (...) o que começou como poesia acaba se impondo como ciência. São os pássaros que criam o céu. Um rio é tanto a areia do leito como a água da correnteza. (...) A dimensão actual do futebol resulta da falta de dimensão de outras artes e outras festas. (...) Porque nós, meu irmão [Agualusa], nós já andamos a confundir as expectativas dos desavisados há muito. Escritores africanos de raça branca, ambos com nomes que sugerem entidades femininas. (...) Nós dizemos que temos ideias. Mas o inverso também é verdade: as ideias têm-nos a nós.”

“Gente que anda descalça. Que calça a terra que pisa. (...) Embora admita que, de algum modo, esta orfandade de pertença desenhou nele uma tatuagem cardíaca. (...) é o que acontece quando fazemos turismo; baixamos a guarda. (...) A cidade é um mar que nos pode engolir a qualquer momento, um monstro que nos pode golpear sem aviso, um inferno de variáveis incertezas. (...) Se a velhice me ensinou algo, é isto: a consciência plena dos desperdícios em favor das nossas próprias tolices.”