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Quote by Rosa Montero

“Não sei se você já perdeu alguém muito próximo e querido. Quando uma pessoa morre, leva junto um mundo. O sentido de um mundo. Sua roupa deixa de ter utilidade. Esse casaco que lhe caía tão bem e de que ela tanto gostava não passa agora de um trapo pendurado em um cabide. Seus objetos emudecem: agora ninguém mais sabe o que significava essa xícara de porcelana com a qual sempre tomava chá, em que época foi comprada, que lembranças despertava. Ou essa pequena pedra polida que sempre trazia junto ao computador: de que montanha a trouxe, de que rio, por quê. As coisas se esvaziam de história e de essência e se convertem em lixo. Os mortos nunca vão sós: levam junto um pedaço do universo.”

Quote by Rosa Montero

Work

La buena suerte

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Author

Rosa Montero

Rosa Montero, born on January 3, 1951, is a Spanish author known for her works in various literary genres, including novels, essays, and plays. Her writing is celebrated for its profound character development and rich imagination. more

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“Quem sofre a perda de uma pessoa amada pensa muito a respeito da autopiedade. Nós nos preocupamos com ela, a tememos, vasculhamos nossos pensamentos em busca de sinais dela. Temos medo de que nossas reações denunciem a condição descrita, de forma reveladora, como “remoer o sofrimento”. Compreendemos a aversão que a maior parte de nós tem a “remoer o sofrimento”. O luto visível nos lembra a morte, o que é considerado antinatural, uma incapacidade de lidar com a situação. “Uma única pessoa está ausente, mas o mundo inteiro parece vazio”, escreveu Phillipe Ariès a respeito dessa aversão em História da morte no Ocidente. “Mas uma pessoa não tem mais o direito de dizê-lo em voz alta.” Lembramos a nós mesmos, repetidas vezes, que nossa própria perda não é nada se comparada à perda vivenciada (ou, ainda pior, não vivenciada) por aquele que morreu; essa tentativa de corrigir o pensamento serve apenas para nos fazer mergulhar ainda mais nas profundezas da autopiedade. (Por que não enxerguei isso, por que sou tão egoísta?) A própria linguagem que usamos, quando pensamos na autopiedade, revela a profunda repulsa que sentimos por ela: autopiedade é sentir pena de si mesmo, autopiedade é chupar dedo, autopiedade é ah,coitadinho de mim, autopiedade é o estado que se permitem, ou do qual até mesmo se comprazem, aqueles que sentem pena de si mesmos. A autopiedade permanece ao mesmo tempo o mais comum e o mais universalmente abominado de nossos defeitos, sua destrutividade pestilenta aceita como algo inevitável. “Nosso pior inimigo”, dizia Hellen Keller. Nunca vi um animal selvagem/ sentir pena de si mesmo, escreveu D.H. Lawrence em uma homilia de quatro versos muito citada que, quando analisada, se revela cheia de significados tendenciosos. Um pequeno pássaro cairá morto de um galho, congelado,/ sem nunca ter sentido pena de si mesmo.Isso pode ser o que Lawrence (ou nós) preferia acreditar em relação aos animais selvagens, mas consideremos os golfinhos, que se recusam a comer depois da morte do parceiro. Consideremos os gansos, que procuram pelo parceiro perdido até ficarem desorientados e morrerem. Na verdade, quem sofre essa perda tem razões urgentes, até mesmo uma necessidade urgente, para sentir pena de si mesmo. Maridos saem de casa, esposas saem de casa, divórcios acontecem, mas esses maridos e essas esposas deixam para trás teias de associações intactas, por mais amargas que sejam. Apenas aqueles que sobrevivem a uma morte ficam de fato sozinhos. As conexões que constituíam sua vida — tanto as profundas quanto as aparentemente insignificantes (até serem rompidas) — desaparecem por inteiro.”

“O poder que a dor de perder uma pessoa querida tem de perturbar a mente já foi exaustivamente investigado. O ato de sofrer por essa perda, nos disse Freud em Luto e melancolia, de 1917, “envolve um grande desvio da atitude normal em relação à vida”. No entanto, observou ele, essa dor permanece peculiar entre os transtornos: “Nunca nos ocorre encará-la como uma condição patológica e submetê-la a tratamento médico.” Em vez disso, nos apegamos ao fato de que “ela será superada depois de um lapso de tempo”. Encaramos “qualquer interferência em relação a ela como inútil e até mesmo prejudicial”. Melanie Klein, em seu texto de 1940, “O luto e sua relação com os estados maníaco-depressivos”, fez uma avaliação semelhante: “A pessoa que experimenta o luto está, na verdade, doente, mas como esse estado mental é tão comum e nos parece tão natural, não chamamos o luto de doença [...] Para expressar minha conclusão de maneira mais precisa: devo dizer que, durante o luto, o sujeito passa por um estado maníaco-depressivo modificado e transitório, que vai superar.” Note a ênfase em “superar”.”

“Alguém me disse que existem cinco estados de luto. Eu não sei. Nunca precisei de saber. Bem… pelo menos até agora. Um modelo qualquer, inventado por alguém, que não tinha mais nada que fazer a não ser atirar-nos à cara com o que estamos ou vamos sentir. Como se já não bastasse a negação, raiva e depressão, ainda podemos juntar antecipação à mistura; aquele sentimento de êxtase que sentimos ao descobrir que depois de te sentires mal, ainda vais continuar a sentir-te pior.”