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Quote by John Verdon

“...o luto não é uma experiência que se vivencia uma vez e depois se segue em frente. A verdade é que o luto passa por uma pessoa em diferentes ondas separadas por períodos de entorpecimento, de esquecimento, de vida cotidiana.”

Quote by John Verdon

Work

Shut Your Eyes Tight

This novel explores themes of fear, obsession, and the supernatural, as a character grapples with their own inner turmoil and the mysterious occurrences surrounding them. more

Author

John Verdon
John Verdon

John Verdon is an American novelist born on January 1, 1942. His works primarily focus on suspense and crime novels, which have gained popularity among readers. more

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“Los románticos del XIX idealizaban el suicidio. Lo pintaban con rubores en las mejillas de Ofelia, lo escribían con heroísmo en Werther, lo enfundaban en vestidos blancos y lo dibujaban con una mano sobre la frente y unos ojos cerrados, plácidos, soñadores, bellos. Lo que Hernán se había hecho destruía toda idealización. Era un acto de salvajismo,, de desesperación, de inexplicable brutalidad. Una vez imaginado, Federico no pudo desprenderse de ese cuadro horripilante que lo llenaba de dolor. No podía darle validez ni descartarlo, porque nadie le permitió ver el cuerpo. Nadie le permitió conocer su apariencia durante el funeral. La impotencia de no poder hacer nada, la fantasía de miles de cosas que habría hecho de hallarse en el lugar exacto y en el momento justo, se colaron en su pecho junto a la opresión de saber que el chico que lo había acompañado desde la infancia, a quien él mismo se había jurado proteger, había sucumbido de la peor manera ante una muerte horrible. Y no había sido capaz de evitarlo.”

“Els records són mal·leables i és fàcil corregir-los, un pot retallar-ne les engrunes i posar-hi un altre fons, sucumbir als vicis dels nostres temps i retocar-los, jugar amb filtres que els embelleixin i fer-se un passat a mida per encarar un present de carn i ossos on no cal ser tan intransigent perquè ningú es colarà dins la nostra soledat per recordar-nos que aquella ombra no hi era i que aquell racó estava més il·luminat.”

“Nico deixara a porta aberta ao sair, e Otto sentia o vento da rua entrando em cheio. Nada no ar parado o fazia lembrar-se de Ada; era o vento que a trazia de volta, agitada, puxando-o pela mão nos dias de chuva. Otto levantou-se e abriu a janela da sala. A corrente de ar ficou mais forte. Achava desconcertante a esposa ter desaparecido assim, de uma hora pra outra, pois ela vivia na segunda-feira e, na terça, já não existia mais. Assim, de repente. Quando ventava, ele quase podia vê-la abrindo as portas de casa para sentir o cheiro das plantas, tentando adivinhar se as tulipas já haviam crescido. Ainda ouvia a voz da mulher quando algum vizinho dava risada; às vezes acordava de súbito com um fantasma se mexendo ao seu lado na cama ou o cheiro do Proteção Antecipada no ar. O sofá estava espaçoso demais, não havia mais vestidos ou pentes nem creme hidratante com aroma de pepino. Otto não tinha mais ninguém para derrubar as panelas na cozinha e fazer um barulho desnecessariamente espalhafatoso enquanto ele lia o jornal de manhã. “Tudo sob controle!”, ela gritava, derrubando uma pilha de tampas.”

“Eu já estava conformada com a Coca-Cola. O garçom – descubro que ele também é brasileiro – percebe minha decepção. Cúmplice, piscando um olho, anuncia que, na falta de cerveja, pode me preparar uma caipirinha. Não está no cardápio, mas ele tem uma boa cachaça. Agradecida e feliz, aceito a sugestão. Esse garçom maravilhoso me ajuda a fazer o luto pela cerveja. Mas não é só porque me propõe uma caipirinha, coisa que eu sequer imaginava encontrar ali. Nem porque a caipirinha é tão boa quanto a cerveja. É porque o encontro com um ser humano empático, capaz de se identificar com a minha decepção, faz com que me sinta emocionalmente acompanhada na caminhada pela vida. Como já vimos, ninguém consegue realizar o luto sozinho. Se o garçom consegue empatizar com minha frustração, é porque também conhece essa dor. Imagine se ele me desse uma resposta sarcástica do tipo: “O que você acha, que é nossa única cliente?”. Não só não me ajudaria a fazer o luto, como azedaria meu passeio.”

“Não sei se você já perdeu alguém muito próximo e querido. Quando uma pessoa morre, leva junto um mundo. O sentido de um mundo. Sua roupa deixa de ter utilidade. Esse casaco que lhe caía tão bem e de que ela tanto gostava não passa agora de um trapo pendurado em um cabide. Seus objetos emudecem: agora ninguém mais sabe o que significava essa xícara de porcelana com a qual sempre tomava chá, em que época foi comprada, que lembranças despertava. Ou essa pequena pedra polida que sempre trazia junto ao computador: de que montanha a trouxe, de que rio, por quê. As coisas se esvaziam de história e de essência e se convertem em lixo. Os mortos nunca vão sós: levam junto um pedaço do universo.”

“Quem sofre a perda de uma pessoa amada pensa muito a respeito da autopiedade. Nós nos preocupamos com ela, a tememos, vasculhamos nossos pensamentos em busca de sinais dela. Temos medo de que nossas reações denunciem a condição descrita, de forma reveladora, como “remoer o sofrimento”. Compreendemos a aversão que a maior parte de nós tem a “remoer o sofrimento”. O luto visível nos lembra a morte, o que é considerado antinatural, uma incapacidade de lidar com a situação. “Uma única pessoa está ausente, mas o mundo inteiro parece vazio”, escreveu Phillipe Ariès a respeito dessa aversão em História da morte no Ocidente. “Mas uma pessoa não tem mais o direito de dizê-lo em voz alta.” Lembramos a nós mesmos, repetidas vezes, que nossa própria perda não é nada se comparada à perda vivenciada (ou, ainda pior, não vivenciada) por aquele que morreu; essa tentativa de corrigir o pensamento serve apenas para nos fazer mergulhar ainda mais nas profundezas da autopiedade. (Por que não enxerguei isso, por que sou tão egoísta?) A própria linguagem que usamos, quando pensamos na autopiedade, revela a profunda repulsa que sentimos por ela: autopiedade é sentir pena de si mesmo, autopiedade é chupar dedo, autopiedade é ah,coitadinho de mim, autopiedade é o estado que se permitem, ou do qual até mesmo se comprazem, aqueles que sentem pena de si mesmos. A autopiedade permanece ao mesmo tempo o mais comum e o mais universalmente abominado de nossos defeitos, sua destrutividade pestilenta aceita como algo inevitável. “Nosso pior inimigo”, dizia Hellen Keller. Nunca vi um animal selvagem/ sentir pena de si mesmo, escreveu D.H. Lawrence em uma homilia de quatro versos muito citada que, quando analisada, se revela cheia de significados tendenciosos. Um pequeno pássaro cairá morto de um galho, congelado,/ sem nunca ter sentido pena de si mesmo.Isso pode ser o que Lawrence (ou nós) preferia acreditar em relação aos animais selvagens, mas consideremos os golfinhos, que se recusam a comer depois da morte do parceiro. Consideremos os gansos, que procuram pelo parceiro perdido até ficarem desorientados e morrerem. Na verdade, quem sofre essa perda tem razões urgentes, até mesmo uma necessidade urgente, para sentir pena de si mesmo. Maridos saem de casa, esposas saem de casa, divórcios acontecem, mas esses maridos e essas esposas deixam para trás teias de associações intactas, por mais amargas que sejam. Apenas aqueles que sobrevivem a uma morte ficam de fato sozinhos. As conexões que constituíam sua vida — tanto as profundas quanto as aparentemente insignificantes (até serem rompidas) — desaparecem por inteiro.”

“O poder que a dor de perder uma pessoa querida tem de perturbar a mente já foi exaustivamente investigado. O ato de sofrer por essa perda, nos disse Freud em Luto e melancolia, de 1917, “envolve um grande desvio da atitude normal em relação à vida”. No entanto, observou ele, essa dor permanece peculiar entre os transtornos: “Nunca nos ocorre encará-la como uma condição patológica e submetê-la a tratamento médico.” Em vez disso, nos apegamos ao fato de que “ela será superada depois de um lapso de tempo”. Encaramos “qualquer interferência em relação a ela como inútil e até mesmo prejudicial”. Melanie Klein, em seu texto de 1940, “O luto e sua relação com os estados maníaco-depressivos”, fez uma avaliação semelhante: “A pessoa que experimenta o luto está, na verdade, doente, mas como esse estado mental é tão comum e nos parece tão natural, não chamamos o luto de doença [...] Para expressar minha conclusão de maneira mais precisa: devo dizer que, durante o luto, o sujeito passa por um estado maníaco-depressivo modificado e transitório, que vai superar.” Note a ênfase em “superar”.”