“Eu ia imaginando o interrogatório todo, repetidamente, as perguntas deles, minhas respostas. Mas e se eles não acreditassem? Não, eles iam acreditar, porque eles [árabes] entendem a fórmula do terrorismo melhor do que os americanos, e têm mais experiência. A barreira cultural entre o mundo cristão e o muçulmano ainda afeta consideravelmente a abordagem americana da questão. Os americanos são propensos a ampliar o círculo de envolvimento para capturar o maior número possível de muçulmanos. Falam sempre da Grande Conspiração contra os Estados Unidos. Eu mesmo fui interrogado a respeito de gente que apenas pratica os princípios da religião e simpatiza com movimentos islâmicos; pediram-me cada detalhe sobre os movimentos islâmicos, ainda que moderados. Isso é surpreendente num país como os Estados Unidos, onde organizações terroristas cristãs como os nazistas e os suprematistas brancos têm liberdade para se expressar e recrutam pessoas abertamente sem que ninguém os incomode. Mas como muçulmano, se você simpatizar com as opiniões políticas de alguma organização islâmica, vai ter sérios problemas. Até mesmo frequentar a mesma mesquita de um suspeito é grave problema. Quero dizer que esse fato é claro para qualquer pessoa que entenda o ABC da política americana para o chamado Terrorismo Islâmico.” AméricaKkkNazismoTerrorismoConspiraçãoWhite PrideMuçulmanos Book:Guantánamo Diary: Restored Edition Source: Guantánamo Diary: Restored Edition
“Mas acho que quando a tortura entra em cena, as coisas saem do controle. A tortura não garante que o detento colabore. Para deter a tortura, o detento precisa agradar seu agressor, ainda que com informações inverídicas, às vezes enganosas; averiguar informações leva tempo. E a experiência mostra que a tortura não impede nem reduz ataques terroristas: Egito, Argélia e Turquia são bons exemplos disso. Por outro lado, a discussão tem trazido excelentes resultados. Depois do ataque fracassado ao presidente do Egito em Adis Abeba, o governo firmou um cessar-fogo com o AlGawaa al-Islamiyah, e este mais tarde optou pela luta política. No entanto, os americanos aprenderam muito com seus aliados adeptos da tortura e vêm trabalhando em estreita colaboração com eles.” AméricaTorturaInformação Book:Guantánamo Diary: Restored Edition Source: Guantánamo Diary: Restored Edition
“Depois de ouvir todo tipo de ameaça e declarações degradantes, comecei a perder grande parte da conversa entre os árabes e seus cúmplices americanos, e a certa altura mergulhei em meus pensamentos. Tinha vergonha de que meu povo estivesse sendo usado para esse horrível trabalho por um governo que afirma ser o líder do mundo livre democrático, um governo que prega contra a ditadura e “luta” pelos direitos humanos e manda seus filhos para a morte por esse objetivo: que peça esse governo prega em seu próprio povo!” AméricaTorturaPrankBrincadeira Book:Guantánamo Diary: Restored Edition Source: Guantánamo Diary: Restored Edition