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Mohamedou Ould Slahi Quotes

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Famous Mohamedou Ould Slahi Quotes

“Mas, acreditem se quiser, vi carcereiros chorando porque tinham de sair de seu posto em GTMO. “Sou seu amigo, não me importa o que digam”, disse-me um dos carcereiros antes de ir embora. “Disseram-me coisas ruins de você, mas minha opinião não é bem essa. Gosto muito de você e gosto de falar com você. Você é uma grande pessoa”, disse outro. “Espero que você seja solto”, disse ■■■■■■■■ com sinceridade. “Vocês são meus irmãos, todos vocês”, sussurrou um outro. “Eu te amo!”, disse uma vez um ■■■■■■■■ militar a meu vizinho, um garoto engraçado com quem eu mesmo gostava de conversar. Ele ficou impressionado. “O que… Aqui não amor… Sou muçulmano!” Ri um bocado por causa daquele amor “proibido”. Mas eu mesmo não consegui segurar o choro um dia, quando vi um carcereiro ■■■■■■■■ descendente de alemães chorando porque ■■■■■■■■ tinha sido um pouco machucado. O engraçado é que eu escondi meus sentimentos porque não queria que fossem mal interpretados por meus irmãos, ou vistos como fraqueza ou traição. Por um momento me odiei e fiquei profundamente confuso. Comecei a me fazer perguntas sobre as emoções humanitárias que eu vinha experimentando em relação a meus inimigos. Como é possível chorar por alguém que lhe causou tanta dor e destruiu sua vida? Como é possível gostar de alguém que por ignorância odeia a sua religião? Como se pode conviver com essa gente má que continua maltratando seus irmãos? Como se pode gostar de alguém que trabalha dia e noite para incriminar você? Eu estava numa situação pior que a de um escravo: pelo menos um escravo não está sempre posto a ferros, tem uma relativa liberdade e não precisa ouvir as bobagens de um interrogador todos os dias. Eu sempre me comparava a um escravo. Os escravos eram levados da África à força, como eu fui. Os escravos eram vendidos várias vezes antes de chegar ao destino final, como eu fui. Os escravos eram destinados de uma hora para outra a alguém que eles não tinham escolhido, como eu fui. E quando eu examinava a história dos escravos, notava que eles acabavam sendo uma parte essencial da casa de seu senhor.”

“Mas a realidade sempre caía sobre mim assim que eu acordava em minha cela fria e escura, mantendo os olhos abertos só por um momento na tentativa de voltar a dormir e viver aquilo de novo. Levei várias semanas para aceitar que estava preso e que não iria para casa tão cedo. Por mais duro que fosse, esse passo foi necessário para me fazer entender minha situação e agir com objetividade para evitar o pior, em vez de perder tempo com as peças que minha mente me pregava. Muita gente não supera essa fase: perde o juízo. Vi muitos detentos que acabaram ficando loucos. A fase dois chega quando você entende de verdade que está na prisão e que não possui nada além de todo o tempo do mundo para pensar na vida — embora em GTMO os detentos tenham também de se preocupar com os interrogatórios diários. Você entende que não tem controle sobre nada, que não decide quando vai comer, quando vai dormir, quando vai tomar banho, quando vai acordar, quando vai ao médico, quando vai estar com o interrogador. Não tem privacidade alguma; nem para expelir uma gota de urina sem ser vigiado. No começo, é horrível perder todos os privilégios num piscar de olhos, mas ainda que pareça mentira, as pessoas se acostumam. Eu mesmo me acostumei. A fase três consiste em descobrir sua nova casa e sua nova família. Sua família é integrada por carcereiros e interrogadores. Certo, você não escolheu essa família, nem foi criado nela, mas seja como for é uma família, goste você ou não, com todas as vantagens e desvantagens. Eu pessoalmente amo minha família e não a trocaria por nada no mundo, mas criei uma família na cadeia com a qual também me preocupo. Cada vez que um membro de minha família atual vai embora, é como se um pedaço do meu coração estivesse sendo arrancado. Mas fico feliz quando um parente ruim tem de ir embora. Fase quatro: acostumar-se à prisão e ter medo do mundo lá fora.”

“Por que você me proíbe de rezar sabendo que isso é ilegal?”, perguntei a ele quando ficamos amigos. “Poderia não ter feito isso, mas teriam me dado algum trabalho sujo.” Ele me contou também que ■■■■■■■■■■■■■■■ ■■■■■■■ tinha dado a ordem de me impedir de praticar qualquer atividade religiosa. ■■■■■■■■■■■■■■■■■■ disse ainda: “Vou para o inferno por ter proibido você de rezar”. ■■■■■■■■■■■ ficou felicíssimo quando recebeu ordens para me tratar bem. “Na verdade, gosto mais de estar aqui com você do que estar em casa”, disse ele com franqueza. Era um cara muito generoso; trazia-me bolinhos, filmes e jogos de Play Station 2. Antes de ir embora, deixou que eu escolhesse entre dois jogos, Madden 2004 e Nascar 2004. Escolhi Nascar 2004, que ainda tenho. Acima de tudo, ■■■■■■■■■■■■ proporcionava um bom entretenimento. Ele costumava exagerar e me contava todo tipo de coisa. Às vezes me dava informação demais, coisas que eu não queria nem devia saber. ■■■■■■■■■■■ era um viciado em jogos. Jogava videogames o tempo todo. Sou péssimo em videogames; não dou para isso. Sempre dizia aos carcereiros: “Os americanos não passam de bebês crescidos. Em meu país, não é adequado que uma pessoa da minha idade se sente diante de um console e perca tempo jogando videogames”. Com efeito, um dos castigos da civilização dos americanos é que eles são viciados em videogames.”

“Você será enviado a uma instalação dos Estados Unidos, onde vai ficar durante o resto de sua vida”, ele ameaçou. “Você nunca mais verá sua família. Sua família vai ser fodida por outro homem. Nas prisões americanas, terroristas como você são estuprados por muitos homens ao mesmo tempo. Os guardas em meu país fazem seu serviço muito bem, mas ser estuprado é uma coisa inevitável. Mas se você me disser a verdade, você será libertado imediatamente.” Eu tinha idade suficiente para saber que ele era um sórdido mentiroso e um homem sem honra, mas ele estava no comando, e assim eu tinha de ficar ouvindo suas besteiras continuamente. Eu só queria que as agências começassem a empregar pessoas mais espertas. Será que ele achava de verdade que alguém acreditaria em suas bobagens? Teria de ser muito estúpido: será que ele era estúpido ou pensava que eu era estúpido? Eu o teria respeitado mais se me dissesse: “Olhe, se você não disser o que eu quero ouvir, eu vou torturar você”

“Posso dizer também que os detentos tinham chegado ao limite da dor. Eu só ouvia gemidos. Perto de mim tinha um afegão que estava chorando muito alto e pedindo ajuda ■■■■■■■■■■ ■■■■■■■■■■■■■■■■■■ . Estava falando em árabe: “Senhor, como pôde fazer isso comigo? Por favor, aliviem minha dor, cavalheiros!”. Mas ninguém se deu sequer ao trabalho de examiná-lo. O sujeito estava mal já em Bagram. Eu o tinha visto na cela ao lado da nossa; ele vomitava o tempo todo. Senti tanta pena dele. Ao mesmo tempo, eu ria. Dá para acreditar nisso, eu ria estupidamente! Não dele; eu ria da situação. Primeiro, ele se dirigiu a eles em árabe, que nenhum guarda entendia. Depois, ele os chamou de cavalheiros, o que eles certamente não eram.”

“Passei a ter alucinações e a ouvir vozes claras como cristal. Ouvi minha família numa conversa informal da qual eu não conseguia participar. Ouvi a leitura do Corão numa voz celestial. Ouvi música de meu país. Mais tarde, os carcereiros usaram essas alucinações e começaram a falar com vozes de chacota através do encanamento, incentivando-me a agredir os carcereiros e armar um plano de fuga. Mas não me enganaram, mesmo quando eu fazia o jogo deles. “Ouvimos alguém — talvez um gênio!”, diziam eles. “Sim, mas eu não estou ouvindo”, eu respondia. Só sabia que estava à beira de perder o juízo. Comecei a falar sozinho. Por mais que tentasse me convencer de que não estava na Mauritânia, de que não estava próximo de minha família e portanto não poderia ouvi-la conversando, eu continuava ouvindo vozes permanentemente, dia e noite. Assistência psicológica estava fora de questão, como também assistência médica de verdade, além do imbecil que eu não queria nem ver.”