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PAULO SALVETTI Quotes

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Famous PAULO SALVETTI Quotes

“Na segunda-feira seguinte, na fábrica, todos já sabiam. Marfiza era um diabo-espalha-fatos, que inferno. Quando ouvi o primeiro comentário na fábrica, fiquei com um vermelho-roxo no rosto. Ela jamais seria capaz de enxergar. Se estivesse na minha frente, faria escorrer do pescoço dela. Boca aberta. Futriqueira. Venenosa. Rouba-vida. Mexeriqueira. Língua de escorpião. Maldosa. Ressentida. Vilipendiadora. Sonsa.”

“-Queria te levar no baile amanhã. Marfiza, que partia a laranja ao meio, ficou ser reação aparente. A lâmina em movimento terminava de atravessar os últimos milímetros do bagaço da laranja e continuou o corte até a primeira camada da pele e seguiu em frente, epiderme-derme-hipoderme abaixo. Atônita depois do convite, cortando-se a si e nenhum pio. Até o susto com o sangue em jorro denso. Chafariz pintando o rosto dela e o dele também. Um gritinho baixo, miado e cataploft. Ele desmaiou por entre as pernas dela esguichadas de sangue. Ela atônita pra mim, olhos maiores que a cara: morto? Adelmino estava vivo. Tão vivo que alguns anos depois se casaria comigo. Pai dos meus quatro filhos. Pamonha ali estatelado.”

“Um dia Adelmino chega em casa, já na cidade, e deita na rede. Waldir devia ter uns quatro anos. Depois do cochilo, Adelmino levanta e não encontra a fivela de boiadeiro do seu cinto. Olha para Waldir acocorado do lado de fora. Grita pelo cinturão. O menino gagueja sem resposta. Cadê minha fivela? Waldir não diz nada e é levantado pelo pescoço e arremessado no chão. Depois é um chicote assobiando nas costas do moleque. Ele só chora e geme. Adelmino se cansa e volta pra rede, onde encontra a fivela. Tinha caído do cinto enquanto ele dormia. Ele olha para o menino, pensa em falar algo, mas não diz nada. Volta a dormir. E eu, onde estava? Cinco goles.”