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Quote by Afonso Cruz

“A natureza enche chouriços, não há espaços vazios nas suas tripas. (...) Há muita incompetência na forma como a natureza preenche os espaços, falta-lhe capacidade para se alojar nos espaços metafísicos.”

Quote by Afonso Cruz

Work

Jesus Cristo Bebia Cerveja

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Author

Afonso Cruz

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“As florestas não são como os outros espaços. Para começar são tridimensionais. As suas árvores rodeiam-nos, abafam-nos, comprimem-nos de todos os lados, obstruem a vista, deixam-nos baralhados e sem referências. Fazem-nos sentir pequenos, confundidos e vulneráveis, como se fôssemos uma criança pequena perdida numa multidão de pernas estranhas. Num deserto ou pradaria sabemos que estamos num grande espaço. Numa floresta apenas podemos pressenti-lo. São um vasto e incaracterístico nenhures.”

“Mas quando, depois de acariciar os rafeiros no pátio, desembocávamos da alameda de plátanos, e diante de nós se dividiam matutinamente, mais brancos entre o verde matutino, os caminhos coleantes da quinta, toda a sua pressa findava, e penetrava na Natureza com a reverente lentidão de quem penetra num templo. E repetidamente sustentava ser «contrário à Estética, à Filosofia, e à Religião andar depressa através dos campos». De resto, com aquela subtil sensibilidade bucólica que nele se desenvolvera, e incessantemente se afinava, qualquer breve beleza, do ar ou da terra, lhe bastava para um longo encanto. Ditosamente poderia ele entreter toda uma manhã, caminhar por entre um pinheiral, de tronco a tronco, calado, embebido no silêncio, na frescura, no resinoso aroma, empurrando com o pé as agulhas e as pinhas secas. Qualquer água corrente o retinha, enternecido naquela serviçal actividade, que se apressa, cantando, para o torrão que tem sede, e nele se some, e se perde. E recordo ainda quando me reteve meio domingo, depois da missa, no cabeço, junto a um velho curral desmantelado, sob uma grande árvore, - só porque em torno havia quietação, doce aragem, um fino piar de ave na ramaria, um murmúrio de regato entre canas verdes, e por sobre a sebe, ao lado, um perfume, muito fino e muito fresco, de flores escondidas.”

“Fui dar uma olhadela à floresta-rainha, o Mayombe, claro. (...) fui apenas respirar um pouco aqueles ares e rever os desenhos das sombras nas folhagens das árvores descomunais. Só queria apreciar de novo as centenas de tonalidades do verde que transpareciam pelo sol e seus reflexos nos troncos indo do negro ao amarelo. Os antigos cheiros voltavam a brincar com o meu nariz, os cheiros da floresta nunca esquecem.”

“Creio no mundo como num malmequer, Porque o vejo. Mas não penso nele Porque pensar é não compreender... O Mundo não se fez para pensarmos nele (Pensar é estar doente dos olhos) Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, Mas porque a amo, e amo-a por isso, Porque quem ama nunca sabe o que ama Nem sabe por que ama, nem o que é amar...”