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Quote by Christian Dunker

“Quando o apaixonado é tomado por uma “sensação de verdade”, ele intui a plena realização de seu desejo. Diante do abismo, ou seja, “lufada de aniquilamento que atinge o sujeito apaixonado por desespero ou por excesso de satisfação”, ele vê todos que o cercam situados diante de sua paixão. A paixão demanda provas de amor, signos estáveis e seguros de que não estamos sozinhos. As palavras do amado repercutem em alto volume na alma do amante. O apaixonado sente-se raptado e errante, querendo possuir o impossível. Nunca acreditamos demasiadamente no amor que o outro nos dispensa. Por isso o apaixonado vive entre a nuvem do mau humor e a noite do desespero. A espera, o mutismo, a incerteza da resposta fazem de todo apaixonado um louco em potencial. O sintoma mais comum é a loquela, ou seja, diálogos imaginários sem fim com e contra aquele que se ama. Frequentemente tem ideações suicidas apenas para imaginar a falta que causaria àquele que ama. Ele recorre a informantes, cria ciúmes como cenas de amor, fica vulnerável a fofocas, sente-se ofendido por pequenas faltas do amado. Como resposta ao tormento da paixão, o sujeito começa a transformar afetos, emoções e sentimentos em uma disposição amorosa para a transformação social. Escreve cartas de amor, nas quais admite que pode existir ausência entre eles, além de esconder seus sentimentos e criar filosofias sobre o caráter inexprimível do que sente. Transforma sua desrealização e despersonalização em romances ficcionais. Negocia sua dependência a ponto de circunscrever o acontecimento amoroso e finalmente se perguntar: o que fazer com essa paixão?”

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Work

A arte de amar

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Author

Christian Dunker

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“O amor, porém, assim como o pecado, envolve atos, palavras e pensamentos, e como todo amor depende de ficção e metáfora, a forma como o praticamos é que levanta problemas. Pensar pode – fantasiar também –, obrigar o outro a participar, não. O problema é que as fantasias têm sede de realidade. Tântalo, Prometeu, Sísifo, as Danaides e os demais acorrentados do reino de Plutão só conseguem beber da água da realidade em fontes narcísicas, em cachoeiras repetitivas e em lagos pantanosos. Isso sugere uma dificuldade estrutural para toda forma de amor, representando uma tarefa ingrata quando se trata do processo de desamar alguém. A irrealização do amor, sua imanente virtualidade, sua contingência, que inclui o que aconteceu e o que poderia ter acontecido, continua a acontecer em nossa fantasia. Em outras palavras amamos também o que “poderíamos ter sido”, assim como temos saudade do que “nunca aconteceu”. É nesse sentido que o amor compreende sempre uma fantasia delirante de liberdade. Essa liberdade é pensada aqui não a partir de um limite exterior – independentemente de leis que permitem isto ou aquilo, e proíbem aquilo e aquilo outro –, mas de um limite interior, formado na experiência singular daquela pessoa com o outro amoroso, inclusive nessas diferentes qualificações do amor.”

“Quer motivo maior para falarmos do que amor e solidão? Falamos porque somos sós e precisamos proferir palavras para dar notícias de nós e receber algo do outro – e também falamos justamente porque nos somos insuficientes a nós e queremos nos dirigir ao outro. Então, falar é isso, usar o vazio da boca para pedir algo que não se sabe bem o que é. Quando pedimos alguma coisa, nunca conseguimos alcançar exatamente o que desejamos, porque aquilo que coincidiria exatamente com o buraco do desejo – pasmem! – não existe. Por isso aprendemos em psicanálise que o desejo é sempre insatisfeito, na medida em que satisfazê-lo inteiramente está fora do plano da criação humana. Nesse sentido, o desejo é indestrutível. O objeto que viria a realizá-lo existe apenas no campo da fantasia.”

“A gente não vive sem criar expectativas. Sem expectativas não há motivos para sair de casa, não escovamos nem os dentes, nem sequer abrimos os olhos. É disso que se faz a vida, de expectativas – um nome para a fantasia, talvez! A gente vive porque espera algo da vida. Ama porque espera algo do ser amado. Trabalha porque espera algo do nosso esforço. Expectativa e esperança têm uma relação etimológica com espera, que é bem o que se aprende a fazer nos caminhos do que chamamos de desejo, em psicanálise.”