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Quote by Ingrid Gerolimich

“A amizade foi, por muito tempo, uma virtude moral, uma das maiores. Isso só mudou com o nascimento da sociedade capitalista e, com ela, do individualismo e da competição. “A sociedade capitalista considerava a amizade como manifestação de ‘sentimentalismo’; portanto, como uma fraqueza de espírito completamente inútil e até nociva para a realização das tarefas de classe burguesas”, diz Kollontai (1982) em seu texto. O capitalismo e o patriarcado atribuíram ao amor o mesmo princípio de propriedade que regula o modo de vida em nossa sociedade até hoje. Amar, então, tornou-se sinônimo de posse: é preciso possuir o coração do ser amado. O amor nessa configuração perde sua amplitude e passa a ficar restrito às relações conjugais e familiares.”

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Ingrid Gerolimich

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“Para conhecermos o amor, primeiro precisamos aprender a responder às nossas necessidades emocionais”, diz bell hooks (2006, p. 6). Muito foi ensinado às mulheres sobre o amor, muito é exigido das mulheres em relação ao amor, a diferença entre nós e os homens nesse quesito é que, enquanto os homens foram ensinados desde cedo a amarem a si, as mulheres desde sempre foram ensinadas a amar os homens no lugar de si mesmas. Neste sentido, ter amigas faz parte do cuidado de si, pois assegura à mulher, através do processo de fala e escuta, traçar os caminhos de construção da sua subjetividade, o que lhe permitirá ressignificar a realidade à sua volta e a própria ideia que tem de si mesma. Disse Espinosa (2008) que “o corpo humano pode ser afetado de muitas maneiras, pelas quais sua potência de agir é aumentada ou diminuída, enquanto outras não tornam sua potência de agir nem maior nem menor”. A amizade torna maior a nossa potência de agir. Não é por acaso que uma das primeiras coisas que um abusador faz em um relacionamento abusivo é tentar afastar a mulher de suas amigas. O abusador sabe que, na maior parte das vezes, é através delas que a mulher poderá tomar consciência não só do abuso, mas de seu valor, já que muitas mulheres se mantêm em uma relação abusiva em função de uma construção psíquica que historicamente lhe coloca na posição de objeto do sadismo alheio.”

“– Luna, você não devia ter dito em voz alta “o que pode dar errado?” – Zoey murmurou. – Tudo bem, foi uma fala minha idiota. – Ainda mais quando toda hora alguém diferente quer te matar – completou Dax. – É, tem isso... – Soltei um longo suspiro que durou alguns instantes em um silêncio inquieto. – Você ainda vai ser minha sentença de morte – ele resmungou.”

“Eles o amavam? Ou ele era extremamente ridículo? Talvez ele devesse mudar de turma. Talvez não estivesse errado quando se decidia em fazer algo que não sair com eles. (...) Eles pareciam todos tão infelizes com suas vidas. Talvez isso fosse um sinal de que devia se dedicar mais a sua carreira de escritor, que tinha protelado demais até aqui e agora era hora de recuperar o tempo perdido. Devia ficar mais em casa. Estava bebendo demais.”

“(Uma coisa estranha que ela achava sobre a amizade era que de início a imposição de cada um gerava uma relação dinâmica ditada pelos avanços e reações; você assistia e reagia ao que o outro falava e demonstrava suas opiniões porque estava de acordo com a abertura. Depois de um tempo, a omissão passava a parecer um passo certo; você se questionava se tinha o direito de interferir até aquele ponto ou de até mesmo reagir intensamente, de esboçar uma careta de surpresa quando a pessoa lhe contava um novo segredo.)”

“Então, se me perguntam se a amizade feminina é o novo amor romântico, digo que não. A amizade feminina não é uma substituta do amor romântico, ela é aquela que nos revela que o amor é muito mais do que este que sempre foi vendido para nós como o único caminho possível para a felicidade — até porque a realidade tem se mostrado bem diferente, casamento e felicidade nem sempre tem sido uma união tão estável assim para muitas mulheres. A amizade feminina é caminho para que nos libertemos deste modo de relacionamento criado para atar a mulher aos interesses políticos e econômicos da cultura capitalista e patriarcal. É a amizade feminina quem nos ensina sobre o amor, um amor que é revolucionário, pois nos convoca a nos amarmos antes de estarmos dispostas a amar o outro. É através da amizade com outras mulheres que reconhecemos a nós mesmas e o mundo à nossa volta. E, através da costura desses afetos, vamos também criando o mundo em que queremos viver.”