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Quote by Machado de Assis

“... uma menina que deixa as bonecas para ir decorar mecanicamente alguns livros mal escolhidos; que interrompe uma lição para ouvir contar uma cena de namoro; que em matéria de arte só conhece os figurinos parisienses; que deixa as calças para entrar no baile, e que antes de suspirar por um homem, examina-lhe a correção da gravata, e o apertado do botim; Padre Luís, esta menina pode vir a ser um esplêndido ornamento de salão e até uma fecunda mãe de família, mas nunca será uma mulher. (A mulher de preto)”

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Work

Contos Completos de Machado de Assis, Volume 1

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Author

Machado de Assis
Machado de Assis

Brazilian novelist, considered one of the greatest writers in the Portuguese language. His works deeply reveal the contradictions and conflicts of Brazilian society, and have had a profound impact on literature both in Brazil and around the world. more

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“ao falar de mulheres, devemos sempre nos perguntar de que mulheres estamos falando. Mulheres não são um bloco único - elas possuem pontos de partida diferentes. Sueli [Carneiro] aponta a urgência de não universalizar essa categoria, sob o risco de manter na invisibilidade aquelas que combinam ou entrecruzam opressões. Ou seja, ela fala da importância de se dar nome e trazer à visibilidade para se restituir a humanidade.”

“Como também ocorre com os índios e os negros, a mulher é inferior, mas ameaça. "É preferível a maldade do homem à bondade da mulher", advertia o Eclesiastes (42,14). E Ulisses sabia muito bem que precisava prevenir-se do canto das sereias, que cativam e desgraçam os homens. Não há tradição cultural que não justifique o monopólio masculino das armas e da palavra, nem há tradição popular que não perpetue o desprestígio da mulher ou que não a aponte como um perigo. Ensinam os provérbios, transmitidos por herança, que a mulher e a mentira nasceram no mesmo dia e que palavra de mulher não vale um alfinete, e na mitologia rural latino-americana são quase sempre fantasmas de mulheres, as temíveis almas penadas, que por vingança assustam os viajantes nos caminhos. No sono e na vigília, manifesta-se o pânico masculino diante da possível invasão dos territórios proibidos do prazer e do poder. E assim sempre foi pelos séculos dos séculos.”

“Aproximou-se certo dia de uma fonte clara como prata e não contaminada pelo gado, pelo pássaros, pelas feras nem pelos ramos caídos das arvores próximas. Narciso, sentando-se, exausto, na margem daquela fonte, logo se enamorou de sua própria imagem. Primeiro tentou abraçar e beijar o belo jovem que tinha diante de si; depois, reconheceu a si mesmo e permaneceu horas fixando o espelho da água da fonte como se encantado. O amor lhe era, ao mesmo tempo, concedido e negado; ele se consumia de dor e, ao mesmo tempo, gozava de seu tormento sabendo que, ao menos, não trairia a si próprio, acontecesse o que acontecesse.”

“O Narciso contemporâneo se lança a esse lago perseguindo a imagem espetacular de si mesmo, essa imagem que projeta e que é a única que recebe retribuição, esse reflexo de si mesmo que, uma vez alcançado, se converte na encarnação da sua própria imagem perfeita, filtrada, enquadrada e postada no momento de máxima audiência. Nos convertemos em um reflexo aquoso de algo que nem sequer somos. E isso também está nos matando: a nós, a nossas redes, a esse mundo novo que sonhamos.”