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Quote by Eça de Queirós

“E não era a primeira vez que tinha destes falsos arranques de amor, ameaçando absorver, pelo menos por algum tempo, todo o seu ser e resolvendo-se em tédio, em "seca". Eram como os fogachos de pólvora sobre uma pedra; uma fagulha ateia-os, num momento tornam-se chama veemente que parece que vai consumir o Universo, e por fim fazem apenas um rastro negro que suja a pedra. Seria o seu um desses corações de fraco, moles e flácidos, que não podem conservar um sentimento, o deixam fugir, escoar-se pelas malhas de um tecido reles?”

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Work

Os Maias

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Author

Eça de Queirós

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“Quando a emoção entra num tal estado de doença, o melhor que o poeta tem a fazer é não se deixar assustar, já que conhece esse estado, e apenas lhe dar atenção para prosseguir de forma mais contida, servindo-se do entendimento da forma mais leve possível, para corrigir momentaneamente a emoção, seja ela limitativa ou libertadora; se agir assim repetidamente, a emoção recuperará a sua natural segurança e consistência. Para além disso, deve acostumar-se a não pretender alcançar, em cada um desses momentos, tudo aquilo que deseja, suportando o que é momentaneamente imperfeito; o seu prazer terá de ser o de a cada momento se superar a si mesmo, na medida das exigências do seu ofício, e dos modos que lhe são próprios; até por fim alcançar o tom dominante da sua totalidade. Mas não deve pensar que o caminho dessa superação é sempre em crescendo, do mais fraco para o mais forte: desse modo não será igual a si mesmo, e entrará em tensão. Deve antes sentir que ganha em leveza o que perde em importância, que o silêncio é uma bela forma de superar a agitação, e a reflexão um meio de ultrapassar os impulsos. Se assim for, não haverá na progressão da sua obra um único tom necessário que não ultrapasse de certo modo o anterior; e o tom dominante só o será porque a forma de composição do todo é esta, e não outra.”

“Ao estudar a literatura romântica portuguesa, a mãe convencera-o a escrever um ensaio sobre Eurico o Presbítero, explicando-lhe, com palavras que eram sempre surpreendentes pelo contraste enter a delicadeza da voz que as pronunciava e a veemência apaixonada daquilo que diziam, que o tema romântico por excelência é a solidão do homem perante Deus, a Natureza e os outros homens, e que por isso o romantismo é a adolescência do mundo, a primeira vez na história em que emergem vozes e espíritos aos quais ninguém podia ensinar nada e que não podiam imitar ou emular ninguém porque a violência e o desequilíbrio dos seus sentimentos não se revia em qualquer experiência alheia. Foi nessa ocasião que lhe recitou pela primeira vez o texto “Sabeis o que é esse despertar do poeta?” e lhe perguntou se não era exactamente aquilo que sentia: que ninguém o podia compreender, nenhuma alma se erguia à sua altura, que a vileza e a decepção moravam no coração do destino, e que só uma solidão vertical frente ao bramido do mar ao rugido dos ventos poderia dar conta do tumulto que lhe perturbava o espírito.”

“What I call "slumdog hope" is unique. It is the ability of the mind to be hopeful in the worst of the worst scenarios when a person with normal emotional strength may crack and succumb to the pressures of life. Those who possess this unflinching and undettered hope are likely to become slumdog millionaries.”